Dois empresários foram condenados por desviar R$ 2,5 milhões de verba destinada pelo Estado para a compra de medicamentos para Yasmin, de 12 anos, que está em tratamento para um câncer raro e agressivo, do tipo neuroblastoma. A sentença aconteceu no dia 21 de janeiro de 2026 e veio à tona neste domingo (1).

De acordo com o advogado da família da criança, Allan Lincoln, que é especialista em direito da saúde, as medicações Danyelza e Leukine foram solicitadas judicialmente em abril de 2024, a Justiça determinou e o Governo do Paraná destinou verbas para a compra dos remédios, que foi repassada para uma empresa responsável pela importação.
“Quando eles receberam a liminar, demoraram muito para entregar. Foram feitas denúncias para o Ministério Público do Paraná e Polícia Civil, que deram início às investigações sobre esses casos, que resultou na condenação de dois dos acusados pelo crime de estelionato”.
A fraude atrasou o tratamento e intensificou o sofrimento da criança que luta contra o câncer, segundo a família. O advogado ainda ressalta que a denúncia inicial oferecida pelo Ministério Público envolve os crimes de colocar a vida ou a saúde de outro em risco e associação criminosa.
“Eles foram absolvidos desses crimes e acredito que a sentença precisa ser reformada para que haja condenação devido à gravidade do caso”.
As penas atuais somam nove anos de prisão em regime inicialmente fechado. Os empresários estão presos desde agosto de 2024.
Caso da criança é complexo
A mãe da Yasmin, Daniele Aparecida Campos, afirmou em entrevista para a equipe do portal CGN, parceiro da Banda B, que a menina sofre risco de morte.
“Infelizmente a Yasmin pode nos deixar a qualquer momento, para a medicina é só um milagre. A doença criou força, hoje ela não está mais andando. Ela toma várias medicações para dor, mas, muitas vezes, já não fazem efeito”.
De acordo com a mãe, a expectativa era de que a medicação chegasse no hospital 15 dias após a determinação judicial, mas não foi o que aconteceu.
“A doença é algo que não espera, foi prescrita uma medicação que poderia ser a salvação dela e a doença não esperou. Yasmin não poderia esperar tanto tempo, a medicação chegou tarde, no final de julho. Eu espero por justiça e espero por um milagre, é difícil pensar que nada mais pode ser feito por minha filha”.
Yasmin luta contra o neuroblastoma há sete anos. Ela não consegue andar desde dezembro, quando passou por uma fratura sem causa aparente.