As chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul causando destruição não são apenas uma ação da natureza. É resultado de uma série de fatores que tem um agente no centro da questão: o modo como o ser humano explora o planeta. Este foi o alerta dos especialistas participantes de um debate realizado nesta quarta-feira (22) na Assembleia Legislativa do Paraná. A audiência pública “Enfrentamento aos fenômenos climáticos extremos e prevenção de desastres ambientais em Curitiba” discutiu estratégias e ações para lidar com fenômenos climáticos como tempestades, enchentes e ondas de calor, além de discutir formas de prevenção de desastres ambientais em Curitiba.

image-1-55

O evento contou com a participação de especialistas, gestores públicos e parlamentares, além de representantes da Defesa Civil.  Todos contribuíram com ideias e sugestões para a construção de soluções efetivas e duradouras para os desafios relacionados às mudanças climáticas e aos desastres ambientais.

53739331954_28b12b67ca_k
Mariana Schuchovski, doutora em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Foto: Alep

A doutora em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mariana Schuchovski, demonstrou como a emissão de gases de efeito estufa estão prejudicando o planeta. Ela foi categórica ao afirmar que o ser humano é responsável por isso.

“No Brasil, já estamos vivenciando a temperatura com 1,5 grau Celsius acima da era pré-industrial. Conseguimos suportar isso, mas estamos mexendo em um elemento importante, que é uma engrenagem de funcionamento e capacidade de produção da natureza. O que precisamos entender é o efeito causado por gases poluentes que se prendem na atmosfera e aquecem o nosso planeta. Com isso, estamos esticando os extremos climáticos. Isso tem reflexos nas atividades agropecuárias e industriais”,

Mariana Schuchovski

O pesquisador público, professor doutor e mestre em gestão urbana Eduardo Gomes Pinheiro também advertiu que alterações climáticas extremas existem e vão acontecer. Para ele, é necessário tratar o assunto com prioridade. “Muito do que não se fez se deve ao fato da crença de que os desastres não acontecem conosco. E o que se observa na cidade, sobretudo no aspecto da gestão, é que ela fica relegada a planos inferiores. Não faz parte da pauta, apesar de existirem políticas públicas, apesar de existir uma legislação bastante importante sobre isso. Lembramos disso quando acontecem eventos como esse que assola o Rio Grande do Sul, com impactos que não atingem somente a população, mas também se sobrepõem à parte econômica. Nós temos esse grande desafio”.

Carlos Luiz Strapazzon, doutor em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Santa Catarina e líder do Grupo de Pesquisa Regulação do Desenvolvimento Social Sustentável (Redess), lembrou que a realização do debate proposto pela Assembleia Legislativa traz duas importâncias notáveis.

“A primeira é a democracia se movimentando para lidar com o problema que é de todos. O segundo é uma prova da nossa resiliência. Se nós seremos capazes ou não de lidar com isso. Quanto antes começarmos, melhor. Então é muito bem-vinda qualquer iniciativa que movimente a sociedade civil, porque esse não é assunto apenas de técnicos, é um assunto de todos”.

Carlos Luiz Strapazzon

O presidente da Associação dos Geólogos do Estado do Paraná, Abdel Hach, também participou do encontro e reforçou a necessidade de se olhar com profundidade sobre o tema. Ele lembrou que as chuvas não são responsáveis pelos problemas, como parece. “As chuvas não causam nada. O que causa são os momentos e condicionantes resultantes de ações antrópicas, ou seja, de responsabilidade do homem”, alertou.

Defesa Civil

O major Daniel Lorenzetto, chefe da Divisão de Gestão de Desastres da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil do Paraná, explicou como o órgão se prepara para a ocorrência de desastres climáticos extremos. “A Defesa Civil atua nas questões de prevenção, mitigação e preparação através da gestão de risco. Também atua com resposta e recuperação na gestão de desastres. Além do nosso Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres, que faz o monitoramento e emite alertas para a população, trabalhamos com assessoramento nas questões de captar recursos de documentação para dar amparo legal. Estamos preparados para esses eventos. Todos os municípios do Estado possuem um plano de contingência ligado à Defesa Civil. Assim, atuamos na parte de preparação, em que são realizadas simulações em conjunto com as forças de segurança. Temos dado uma resposta eficiente”, encerrou.

Comunicar erro

Comunique a redação sobre erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página.

Em audiência na Assembleia, especialistas alertam para a responsabilidade humana nos desastres climáticos

OBS: o título e link da página são enviados diretamente para a nossa equipe.