O paranaense Diógenes Paulino Mendes tinha como ocupação animar as festas em eventos e casas noturnas de Curitiba e da região metropolitana. Mas ninguém conhecia ele pelo nome. Na noite, ele era o DJ Nanico, apelido que ganhou por causa da altura. Ele media 1,60.

Diógenes Paulino Mendes – Dj Nanico.
Foto: Arquivo da família.

O DJ Nanico nasceu em Floristópolis, um município do Norte do Paraná, entre vários irmãos. Ao mudar para Curitiba, começou a trabalhar com produção de imagens para televisão e logo se tornou, então, o DJ Nanico. Além das festas e eventos, o DJ Nanico trabalhou quatro anos na prefeitura de Almirante Tamandaré, onde morava com a família, como técnico de som.

Na capital, conheceu a esposa, a técnica em enfermagem Maria Lucia Scucato. O casal viveu uma relação de 17 anos. Eles tiveram uma filha juntos, Isabele, que está com 12 anos. Segundo Lucia, era muito apegado à família.

“Ele era uma pessoa que se preocupava muito comigo e minha família. Fazia de tudo por nós duas. Coisa que ele não teve na infância – ele foi uma pessoa muito sofrida – então ele não queria que faltasse as coisas. Ele tinha o jeito dele, bagunceiro, trabalhava de DJ, mas era só família”

recorda ela.

Doação de órgãos

Os órgãos do DJ Nanico estavam em condições de serem doados e assim foi feito, com a autorização da família e conforme o que a esposa acreditava ser o desejo dele. “Ele não chegou a falar, mas uma vez ele brincou: ‘Se um dia eu morrer, vai tudo apodrecer…’ Então, com essa, me toquei que ele queria que doasse.”

Diogenes Mendes: DJ Nanico animava as noites e ajudou a salvar muitas vidas
DJ Nanico.
Foto: Arquivo da família.

Lucia revela que as artérias do coração foram doadas para uma criança do Hospital Pequeno Príncipe; as córneas foram cada uma a um paciente diferente; a tíbia foi doada a um paciente do Hospital do Trabalhador. “Pâncreas, fígado e rim iria para São Paulo, me parece”, conta a viúva.

Para ela, é o que tem confortado o coração. “Ao mesmo tempo que estou triste, sentindo falta dele, e parece que quando chega a noite é pior, penso que salvou muitas vidas. Mas à noite é muito triste, meu Deus do céu, como é triste. Porque ele ficava assistindo TV comigo, quando ia trabalhava sempre falava: ‘Amor, fica com Deus’. Sempre falava ‘fica com Deus’. Sinto falta disso.”

Diogenes Paulino Mendes, o DJ Nanico, tinha 45 anos. Ele morreu por consequência de um acidente vascular cerebral, na manhã do dia 15 de março.