A fabricante de produtos de limpeza Ypê enfrenta uma ação judicial movida por uma consumidora de 92 anos que pede R$ 765 mil em indenizações após alegar ter desenvolvido uma infecção urinária grave relacionada ao uso de lava-roupas líquidos da linha Tixan Ypê.
O processo tramita na 4ª Vara Cível de Mauá, em São Paulo, e foi protocolado cerca de cinco meses antes da atual suspensão de produtos determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As informações são da CNN Brasil. Segundo a ação, a idosa teria utilizado produtos posteriormente incluídos em um recall voluntário promovido pela própria empresa após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em determinados lotes.
Defesa da Ypê nega relação com infecção
Na contestação apresentada à Justiça, a Ypê afirma que não há comprovação de que os produtos tenham causado a infecção urinária relatada pela consumidora.
A empresa sustenta que a bactéria apontada é amplamente encontrada no ambiente e que o processo normal de lavagem das roupas reduziria a carga microbiana a níveis considerados insignificantes.
Em parecer anexado ao processo, a fabricante afirma que “não há plausibilidade biológica ou quantitativa” para que a eventual presença do microrganismo pudesse desencadear infecções, mesmo em pessoas mais vulneráveis.
A defesa também argumenta que não existe comprovação de que o frasco usado pela idosa integrava, de fato, os lotes atingidos pelo recolhimento voluntário.
Empresa cita fatores de risco da paciente
Outro ponto apresentado pela defesa envolve o histórico clínico da consumidora.
Segundo os autos, a mulher havia ficado internada durante 15 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pouco antes da compra dos produtos. Ela recebeu alta utilizando sonda vesical.
A Ypê afirma que idade avançada, internação prolongada, sexo feminino e uso de cateter urinário são fatores de risco conhecidos para infecções do trato urinário.
Ainda conforme a empresa, a autora da ação não apresentou exames laboratoriais capazes de relacionar a infecção à bactéria encontrada nos produtos recolhidos.
Recall foi voluntário, diz fabricante
Na defesa, a Ypê também afirma que realizou um recall voluntário assim que identificou “microbiologia positiva” em determinados lotes.
Segundo a fabricante, a empresa comunicou as autoridades sanitárias em novembro de 2025 e divulgou a campanha de recolhimento nas redes sociais, no site oficial e na imprensa.
A empresa, enfim, rebateu ainda acusações de omissão e afirmou que adotou medidas específicas voltadas a consumidores imunossuprimidos.
O processo segue em tramitação e ainda não há decisão definitiva da Justiça sobre o caso.
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