Vídeo registra o momento que homem negro tira calça para provar que não furtou carne: “racismo, vexame e humilhação”

Alex Silva Pereira Faria processou o supermercado e pediu R$ 100 mil em danos morais e retratação nas redes sociais

Redação

Segundo UOL, um homem negro de 33 anos foi acusado de furto após realizar a compra de R$ 366,87 em picanha. Apesar de apresentar nota fiscal, Alex Silva Pereira Faria precisou abaixar as calças. O caso aconteceu na zona norte do Rio de Janeiro, no dia 31 de dezembro.

Foto: Reprodução

Alex conta que foi comprar carne para fazer churrasco com os amigos na virada de ano novo. No entanto, depois pagar ele foi abordado na saída do supermercado Guanabara da Penha. “Eu paguei tudo e disse: ‘Vim comprar, estou trabalhando’.”

Os seguranças do mercado o revistaram e ordenaram para o mototaxista mostrar o que roubou. Além disso, ele precisou abaixar as calças. Alex usava jeans e uma de proteção para andar de moto.

“Arriei as calças porque ele (o segurança) estava querendo me apalpar todinho, dizendo que eu roubei”, explica

O processo

Pai de dois filhos, de nove e três anos, Alex faz compras no supermercado há mais de dez anos. Ele processou o local e pediu R$ 100 mil em danos morais e retratação nas redes sociais do supermercado.

Os advogados de Alex apontam “racismo, vexame e humilhação” na ação dos seguranças: “Alex experimentou o amargo sabor de ter a sua imagem vinculada erroneamente a um ‘ladrão’ e de ter sido submetido a uma revista evidentemente desproporcional e abusiva”

O Guanabara disse ter demitido o funcionário envolvido no caso. Em nota, a rede diz que não tolera nenhuma forma de discriminação, e saiu em defesa dos funcionários.

“Em nenhum momento, os funcionários solicitaram que o cliente tirasse a calça ou fizeram revista íntima. A abordagem teve como objetivo fazer a conferência dos produtos com a nota fiscal emitida pelo caixa”, conclui

O mercado acusa o cliente de pedir que gravem as imagens para que Alex posteriormente processasse a rede. Ainda afirma que ele tirou a roupa por iniciativa própria. No entanto, o funcionário não tentou impedir este comportamento, e, por isso, foi desligado da empresa.

O supermercado destaca que continuará com o ciclo de treinamento, que já ocorre a cada bimestre, junto aos funcionários.

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