O terceiro maior grupo de supermercados do Brasil está reestruturando as operações e, para isso, demitiu aproximadamente 6,6 mil funcionários em 2025. Além disso, foram 28 unidades fechadas. A medida atingiu lojas da Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Sergipe e Pará.

Uma loja de supermercados Mateus visto de cima, como as outras do grupo que demitiram funcionários e fecharam lojas
O grupo Mateus é o terceiro maior entre os supermercadistas do Brasil / Foto: Reprodução/ Instagram/ Grupo Mateus

O Grupo Mateus começou as mudanças com o objetivo de reorganizar e otimizar as atividades da rede. Segundo nota enviada pela rede de supermercados, a decisão de demitir funcionários ocorreu após uma revisão interna das operações da companhia. Dessa forma, o número de colaboradores caiu de cerca de 47,9 mil para 41,2 mil trabalhadores, uma diminuição de quase 14%.

Os projetos envolveram análises históricas das operações e benchmarks internos entre lojas, formatos, fornecedores e contratos, permitindo identificar distorções e oportunidades de otimização com impacto financeiro mensurável. A implementação dessas medidas, iniciada em dezembro de 2025 e intensificada ao longo do 1T26, teve como objetivo adequar estruturas operacionais e capturar ganhos de eficiência nas lojas e áreas operacionais da Companhia

escreveu o grupo em nota.

A companhia informou ainda que realizou estudos comparativos entre lojas, formatos de operação, contratos e fornecedores para identificar oportunidades de redução de custos e aumento de eficiência.

Pressão econômica influenciou na decisão de demitir funcionários e fechar supermercados

As mudanças no Grupo Mateus acontecem em meio a um período de forte pressão no varejo alimentar brasileiro. Redes de supermercados têm enfrentado desaceleração do consumo, juros elevados, aumento das despesas logísticas e necessidade de cortar gastos, como demitir funcionários. Além disso, a concorrência está cada vez mais intensa entre grandes empresas do setor.

Diante desse cenário, companhias de capital aberto passaram a focar em estratégias voltadas à rentabilidade e à eficiência financeira, reduzindo operações consideradas menos vantajosas.

Supermercados mateus vistos por dentro, mostra consumidores e funcionários como os que eles demitiram
Supermercados Mateus demitem funcionários e fecham lojas / Foto: Reprodução / Instagram / Grupo Mateus

Os indicadores financeiros do Grupo Mateus seguem positivos, segundo dados apresentados pela própria empresa ao mercado, mas o mercado demonstra preocupação.

Setor enfrenta pressão no mercado financeiro

Dessa forma, entre janeiro e março deste ano, depois da rede de supermercados decidir fechar lojas e demitir funcionários, o grupo registrou um trimestre abaixo das expectativas. No fim do ano passado, a divulgação do balanço financeiro do Grupo Mateus havia provocado preocupação no mercado, com queda das ações da empresa na bolsa.

Segundo análises do BTG Pactual e do Itaú BBA, a situação da varejista é resultado de uma combinação de fatores econômicos e desafios internos. Entre os principais pontos estão o enfraquecimento do consumo no Nordeste, principal região de atuação da companhia, o aumento do endividamento das famílias e os juros elevados, que reduziram o ritmo das vendas.

De garimpeiro a bilionário do varejo

O empresário Ilson Mateus Rodrigues, fundador do Grupo Mateus, começou a trajetória profissional de forma humilde no Maranhão. Ainda jovem, tentou trabalhar como garimpeiro em Serra Pelada, no Pará, antes de ingressar no comércio.

Depois, em 1986, abriu uma pequena mercearia na cidade de Balsas (MA), comercializando bebidas e produtos básicos. Dessa forma, com o crescimento das vendas, o negócio evoluiu para supermercados, hipermercados e operações de atacarejo.

Hoje, o Grupo Mateus atua em diferentes segmentos do varejo por meio de bandeiras como Mix Mateus, Mateus Supermercados, Camiño, Spazio e Eletro Mateus, além de operações voltadas à distribuição e produção de alimentos.

Veja o ranking Abras dos maiores supermercados do Brasil

  1. Carrefour Comércio e Indústria Ltda. – R$ 123.594.300.000
  2. Assaí Atacadista (RJ) – R$ 84.736.000.000
  3. Mateus Supermercados S.A. (MA) – R$ 43.551.900.000
  4. Supermercados BH Comércio de Alimentos S.A. (MG) – R$ 25.724.242.808
  5. GPA (SP) – R$ 20.631.000.000
  6. Irmãos Muffato S.A. (PR) – R$ 20.355.475.718
  7. Grupo Pereira (SP) – R$ 17.530.890.000
  8. Koch Hipermercado S.A. (SC) – R$ 12.925.675.000
  9. Novo Mateus S.A. – R$ 12.549.927.422
  10. Mart Minas Atacado e Varejo & Dom Atacadista (MG) – R$ 12.549.621.329

Mudanças nas regras dos supermercados também pesaram na decisão de demitir funcionários

A pressão econômica é um dos elementos que o setor supermercadista vem enfrentando, mas também há alterações em legislações e acordos trabalhistas que impactam a operação das redes. Um dos exemplos ocorreu no Espírito Santo, onde uma nova Convenção Coletiva de Trabalho passou a proibir o trabalho de funcionários de supermercados aos domingos.

Além disso, outras normas recentes também endureceram as exigências para divulgação de ofertas e condições de compra nos estabelecimentos. Entre as medidas estão a obrigatoriedade de informar limites por CPF de forma visível, mostrar preços por unidade, quilo ou litro e garantir transparência total em promoções e descontos.

As regras ainda determinam correção imediata quando houver divergência entre o valor anunciado na etiqueta e o registrado no caixa, ampliando a fiscalização e as exigências sobre o varejo alimentar.

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