Um treinador de equipes amadoras de futebol foi condenado a mais de 70 anos de prisão por abusar sexualmente de alunos entre 10 e 14 anos em uma cidade do oeste de Santa Catarina. Os crimes aconteceram entre 2023 e 2024, e a sentença também determinou o pagamento de indenizações às famílias das vítimas, com valores entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Cabe recurso da decisão.
De acordo com o processo, o treinador usava a escolinha de futebol para se aproximar dos adolescentes e conquistar a confiança das famílias. Segundo a denúncia, ele oferecia presentes aos alunos, como chuteiras, celulares, roupas esportivas, dinheiro, lanches e passeios.

“Assim, utilizava esses benefícios para manipular os jovens e garantir que continuassem próximos a ele. Os relatos das vítimas descrevem uma série de atitudes criminosas por parte do técnico na seara do abuso sexual, inclusive chantagens emocionais para impedir que contassem o que viviam”, diz o Tribunal de Justiça de SC.
Os depoimentos apontam que o treinador se aproximava dos adolescentes e criava uma relação de confiança. Com o tempo, exercia controle sobre os jovens e exigia que mantivessem proximidade com ele para não perder vantagens nos treinos. Alguns relataram que ele prometia a faixa de capitão ou posições de destaque no time para quem continuasse em contato mais próximo.
Abusos de treinar aconteciam em lugares afastados
Os abusos aconteciam, na maioria das vezes, em locais afastados. Em alguns casos, os adolescentes relataram que eram levados de moto até lugares onde ficavam sozinhos com o treinador, quando ocorriam os abusos.
Pais e responsáveis também relataram mudanças no comportamento dos jovens, como isolamento, choro, medo e a recusa em continuar frequentando os treinos.
Além dos crimes sexuais, o homem foi condenado por perseguir um dos meninos ao enviar mensagens insistentes, fazer chantagens emocionais e prometer bens, como computador e moto, caso o adolescente mantivesse contato.
O réu, que não teve a identidade revelada, também foi condenado por aliciar outro adolescente com o envio de fotos de crianças, convites para sair e promessas de presentes.
A sentença ainda o responsabiliza por um caso de envio de pornografia infantil a um grupo de WhatsApp onde havia adolescentes. O processo tramita em segredo de justiça.
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