A denúncia do Ministério Público de São Paulo trouxe à tona detalhes do relacionamento entre o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto e a soldado Gisele Alves Santana, morta em fevereiro, na capital paulista. Segundo o documento, o oficial cobrava sexo da vítima em troca de contas pagas em casa.
Mensagens extraídas do celular do militar, citadas na denúncia, indicam um comportamento considerado possessivo, controlador e autoritário. Em uma das conversas, ele lista gastos mensais, como aluguel, condomínio e contas básicas, e cobra da companheira uma espécie de “retorno”.
“Eu invisto todos os meses, 3 mil reais de aluguel, 2 mil reais de condomínio, 500 reais de água e luz, 500 reais de gás, fora as coisas que eu compro de mercado e todas as vezes que nós saímos eu pago tudo sozinho (…) e você investe quanto? Não tem dinheiro, beleza. Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo…. mas nem isso você faz”, escreveu.
Em resposta, a soldado manifesta o desejo de encerrar o relacionamento e rejeita a exigência. “Não vou trocar sexo por moradia”, afirmou dias antes da morte, conforme o material obtido na investigação. As informações são da CNN Brasil.
Tenente-coronel que cobrava sexo em troca de contas pagas se dizia ‘macho alfa’
O conteúdo também mostra que o oficial se referia a si mesmo como “macho alfa” e defendia um modelo de relação baseado na submissão da mulher. Em outra mensagem, ele afirma que a companheira deveria agir como uma “fêmea submissa”, enquanto ele exerceria o papel de provedor e autoridade dentro da relação.
“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, escreveu.
A denúncia aponta ainda episódios de agressões físicas e psicológicas. Em uma das conversas, a vítima relata ter sido atingida pelo companheiro durante uma discussão. O Ministério Público sustenta que o relacionamento era marcado por violência, controle e tentativas de isolamento da policial em relação a familiares e amigos.
Em outra mensagem, o tenente-coronel também se descreve como “príncipe e soberano”.
A morte da PM e prisão do tenente-coronel
Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada baleada dentro do apartamento onde morava com o marido, na região do Brás. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio após a análise de laudos e contradições na versão apresentada pelo oficial.
De acordo com o Ministério Público, o tenente-coronel teria atirado contra a vítima durante uma discussão e, em seguida, alterado a cena para simular que ela teria tirado a própria vida. A acusação também aponta demora no acionamento do socorro.
O oficial foi preso preventivamente e responde por feminicídio, além de fraude processual. A defesa nega as acusações e sustenta que a morte foi um suicídio.
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