Um vídeo que viralizou nas redes sociais, com alertas de um meteorologista sobre a chegada de um “super El Niño” e previsão de eventos extremos no Sul do Brasil, chamou a atenção nos últimos dias. Apesar do tom de urgência, os dados mais recentes de monitoramento climático indicam um cenário mais cauteloso e ainda em definição.

Biruta indica vento forte sob céu carregado em cenário associado ao super El Niño no Sul do Brasil
Céu escuro e ventos intensos marcam mudança no tempo em meio a alertas sobre possível “super El Niño”. Foto ilustrativa: Gilson Abreu/ Arquivo AEN.

Segundo apuração da Banda B, com base em informações do NOAA, o Oceano Pacífico Equatorial permanece em condição neutra neste momento, sem atuação de El Niño ou La Niña.

Cenário segue neutro até o meio do ano

As projeções mais recentes apontam que essa neutralidade deve continuar ao menos até julho, com cerca de 55% de probabilidade. Isso significa que, apesar das discussões sobre uma possível mudança no padrão climático, o fenômeno ainda não está ativo.

Esse período do ano, entre o outono e o início do inverno, é considerado mais instável para previsões de longo prazo. Por isso, especialistas tratam os dados atuais com cautela e evitam antecipar cenários mais extremos.

El Niño pode surgir a partir do inverno

Segundo os mesmos modelos internacionais, há cerca de 62% de chance de o El Niño começar a se desenvolver entre junho e agosto, com possibilidade de persistir até o fim de 2026.

A tendência reforça informações apuradas pela Banda B de que o fenômeno deve ganhar força apenas ao longo do segundo semestre, e não de forma imediata como sugerem as publicações nas redes sociais:

Intensidade ainda é incerta para classificar como “super El Niño”

Outro ponto que chama atenção nos dados é a indefinição sobre a intensidade do fenômeno. Embora exista a possibilidade de fortalecimento ao longo dos meses, os modelos ainda distribuem as probabilidades entre cenários fracos, moderados e até mais intensos.

Há, inclusive, apenas uma chance pequena de ocorrência de um El Niño muito forte no início dessa possível formação. Por isso, especialistas consideram precipitado classificar o fenômeno como “super El Niño” neste momento.

Simepar aguarda nova atualização

Procurado, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) informou que não comenta declarações de outros profissionais.

“O Simepar não se pronuncia sobre falas de outros institutos.”

declarou a instituição.

Os meteorologistas aguardam a próxima atualização mensal da NOAA, prevista para os próximos dias, antes de divulgar uma análise técnica mais detalhada.

O que pode acontecer no Sul

Historicamente, episódios de El Niño estão associados ao aumento de chuvas na região Sul do Brasil, principalmente no segundo semestre. Ainda assim, especialistas reforçam que esse padrão não significa, necessariamente, a repetição de eventos extremos.

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Durante coletiva recente, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacou que o fenômeno está sendo acompanhado com base científica e que a previsão atual indica uma possível atuação com intensidade entre fraca e moderada.

Diante das incertezas, a orientação é que a população acompanhe as atualizações de órgãos oficiais e evite conclusões antecipadas. Embora o El Niño possa influenciar o clima nos próximos meses, o cenário ainda está em construção, e as próximas semanas devem trazer respostas mais precisas sobre o que esperar.

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