A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) julgou extinta uma ação contra o ex-ministro José Dirceu (PT) por corrupção passiva nesta terça-feira (21). Ele havia sido condenado no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. O colegiado entendeu prescrito o crime e, assim, o processo é encerrado.

A decisão do STF deixa Dirceu mais próximo de restabelecer seus direitos eleitorais. De acordo com a defesa do ex-chefe da Casa Civil no primeiro mandato do presidente Lula (PT), restaria, para isso, apenas a condenação decorrente de processo que tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça) -que, por analogia à decisão do Supremo, também estaria prescrito.

Foto: Agência Brasil

O julgamento no STF teve início em março de 2023. Edson Fachin, relator do caso, considerou que não houve prescrição e votou pela manutenção da sentença, enquanto Ricardo Lewandowski, agora ministro da Justiça de Lula, entendeu que na data da aceitação da denúncia o delito estava prescrito, o que invalida a condenação. Já o ministro André Mendonça pediu vista.

Na tarde desta terça, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes acompanharam a divergência, formando a maioria de três votos necessária na turma em favor do pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-ministro.

Dirceu havia sido foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 8 anos, 10 meses e 28 dias pela 13ª Vara Federal de Curitiba. O STJ o absolveu pelo crime de lavagem, e o Supremo analisou o pedido de extinção do crime de corrupção passiva por prescrição.

Mendonça, apesar de ter pedido vista, não votou. Entre o pedido de vista dele, que suspendeu o julgamento, e o retorno do caso ao colegiado, o plenário da corte decidiu que os votos dados pelos ministros no plenário virtual, mesmo quando há pedido de destaque (quando o caso é levado ao plenário físico), são mantidos.

Assim, ficou contabilizado o voto da ministra Cármen Lúcia, que acompanhou o relator Edson Fachin. Os dois ficaram vencidos.

Neste caso, Dirceu foi acusado de receber propina no âmbito de um contrato que teria sido superfaturado entre a Petrobras e a empresa Apolo Tubulars, fornecedora de tubos para a estatal, entre 2009 e 2012. Os advogados do ex-ministro sustentaram ao STF que o prazo para que o Estado o punisse foi extrapolado.

De acordo com nota da assessoria de imprensa do petista, o ex-ministro “recebeu com tranquilidade” a notícia sobre a conclusão do julgamento no Supremo.

“Tive o meu mandato cassado por razões políticas e sem provas. Sofri processos kafkianos para me tirar da vida política e institucional do país”, afirmou Dirceu. Para ele, segundo o comunicado, “seria justo voltar à Câmara dos Deputados, e a decisão do STF nos leva a essa direção”.

Dirceu afirma, no entanto, que qualquer decisão sobre candidatura, confirmada a sua elegibilidade, só será tomada no próximo ano.

O ex-deputado diz que, neste momento, “há outras prioridades políticas a serem enfrentadas”. Entre as prioridades estão ajudar a eleger candidatos da esquerda nas eleições municipais deste ano e trabalhar pela renovação do PT.

Para o advogado de Dirceu, Roberto Podval, concorrer ou não a uma cadeira no Parlamento possivelmente dependerá apenas da vontade do ex-ministro. “Nós já acreditávamos muito na vitória na 2ª Turma. Mas tivemos essa vitória também com o voto impecável do ministro Nunes Marques”, disse.

Além disso, a discussão posta no STJ é, como ele lembra, muito semelhante à desta tarde: trata do momento que define a contagem da prescrição do processo. Na corte, o caso é relatado pela ministra Daniela Teixeira.

Indicada por Lula, a ministra tomou posse em novembro do ano passado. Antes de assumir o cargo, ela era advogada e é conhecida por ter posições garantistas.

A defesa de Dirceu tem, ainda, um pedido feito ao STF sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. Neste processo, quer a declaração de parcialidade do ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba e hoje senador Sergio Moro (União Brasil-PR). Caso este seja decidido favoravelmente, o processo do STJ é, por consequência, encerrado.

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STF extingue ação contra Dirceu e deixa ex-ministro próximo de recuperar direitos eleitorais

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