Os intensos debates contemporâneos sobre sexo e gênero sugerem que parece haver mais dúvidas do que certezas sobre o tema.

E há quem acredite que é hora de acabar com essas definições — ou, pelo menos, da forma como as usamos atualmente.

(Foto: Reprodução BBC Brasil)

 

Uma das polêmicas mais recentes surgiu há alguns meses, quando declarações de algumas feministas, vistas como discriminatórias em relação a transexuais, abriram uma caixa de Pandora na qual diferentes grupos trocam acusações e parecem relutantes em ouvirem uns aos outros.

A controvérsia envolve o movimento feminista, o movimento LGBTQI+ (sigla internacional para lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, intersexuais, queers e mais), teóricos da cultura queer (termo associado aos que não se encaixam em padrões heteronormativos) e políticos de diferentes tendências.

Mas vamos por partes. A que se referem as palavras sexo e gênero?

Sexo biológico ou designado

No senso comum, o sexo é um rótulo que o médico nos dá ao nascer, de acordo com uma série de fatores fisiológicos como a genitália, os hormônios e os cromossomos que carregamos.

A maioria das pessoas recebe o gênero masculino ou feminino, e é isso que geralmente aparece na certidão de nascimento.

Os fatores que determinam o nosso sexo designado no nascimento começam logo após a fertilização:

Cada espermatozoide tem um cromossomo X ou Y. Todos os óvulos têm um cromossomo X. Quando o espermatozoide fertiliza um óvulo, seu cromossomo X ou Y se combina com o cromossomo X do óvulo.

Uma pessoa com cromossomos XX geralmente tem órgãos sexuais e reprodutivos femininos e, portanto, geralmente é designada como do sexo feminino.

Uma pessoa com cromossomos XY geralmente tem órgãos sexuais e reprodutivos masculinos e, portanto, geralmente é designada como do sexo masculino.

Isso não exclui outras combinações de cromossomos, hormônios e órgãos que podem levar uma pessoa a se considerada intersexual.

Nestes casos, o mais comum é que os pais ou responsáveis decidam criar o bebê como menino ou menina, embora haja cada vez mais países nos quais não é mais necessário determinar o sexo — feminino ou masculino — na certidão de nascimento.

Alemanha, Holanda, Austrália, Nova Zelândia, Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e alguns lugares no México e na Argentina permitem haja um sexo distinto ou não-identificado.

Gênero e identidade

O gênero é ainda mais complexo do que o sexo.

Ele inclui papéis e expectativas que a sociedade tem sobre comportamentos, pensamentos e características que acompanham o sexo atribuído a uma pessoa.

Por exemplo, ideias sobre a maneira que alguns esperam que homens e mulheres se comportem, se vistam e se comuniquem ajudam a construir a concepção de gênero.

Geralmente também é masculino ou feminino, mas em vez de se referir a partes do corpo, refere-se à maneira como se espera que devamos agir de acordo com o sexo.

O sexo atribuído e a identidade de gênero de algumas pessoas são praticamente os mesmos ou estão alinhados. Estas pessoas são conhecidas como pessoas cisgênero.

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