Cristiano Lopes Costa, 41, o Meia Folha, um dos homens mais fortes do PCC (Primeiro Comando da Capital), morto a tiros na noite desta terça-feira (12), era responsável por uma empresa que tem dois contratos ativos com a prefeitura do Guarujá, no litoral de São Paulo.

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Foto: Reprodução


Cristiano Lopes era sócio-administrador da HC Transporte e Locação Eirelli. A prefeitura do Guarujá informou que possui dois contratos vigentes com a empresa “para prestação de serviços de controlador de acesso e de limpeza das unidades de Saúde”.


Contratos foram firmados em 2022. Em nota, a administração municipal esclareceu que os contratos tinham vigência de um ano, podendo ser prorrogados até o quinto ano.
Prefeitura diz que análises referentes à pessoa física dos responsáveis pelas empresas não constam nas exigências legais. Em nota, a gestão escreveu que para empresas vencedoras de processos licitatórios no município é exigido um rol de documentos, sempre relacionados ao seu CNPJ, no sentido de comprovar a regularidade perante os órgãos competentes.


“Análises referentes à pessoa física de seus responsáveis não constam do rol de exigências legais, exceto no que se refere a grau de parentesco com servidores municipais ou detentores de mandato eletivos no município, o que é vedado por lei e precisa ser informado pelos cidadãos cujas empresas vencem um certame, em forma de declaração assinada”, diz a prefeitura em nota.


Cristiano Lopes Costa foi baleado no Guarujá, na Baixada Santista. A polícia não descarta as hipóteses de a vítima ter sido morta por causa do racha histórico na facção criminosa ou por envolvimento com políticos na região.


Meia Folha foi baleado em frente a uma lanchonete, no cruzamento das ruas São Paulo e São Jorge, no bairro Itapema. Fontes policiais disseram que dois homens encapuzados conduzindo uma moto passaram e abriram fogo. Ele foi levado para o hospital Vicente de Carvalho, mas não resistiu.


Cristiano comandava o tráfico de drogas e até mesmo setores da saúde pública da Baixada Santista. Segundo a Polícia Civil, ele era ligado ao narcotraficante André Oliveira Macedo, o André Du Rap, foragido da Justiça desde outubro de 2020. A vítima também foi comparsa de Albiazer Maciel de Lima, 44, o Mela Eixo, rei do roubo de carga, morto em 14 de junho de 2021, na penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Mela Eixo, por sua vez, era amigo de Marcos Willians Herbas Camacho, 56, o Marcola, tido como líder máximo do PCC.


Poucas horas depois do assassinato de Meia Folha, ônibus passaram a ser incendiados em Santos. A polícia ainda não sabia se os atos de vandalismo tinham relação com a execução dele.


APARTAMENTO DE LUXO E OBRAS SOBRE MAFIOSOS


O criminoso mantinha em seu apartamento de luxo uma biblioteca recheada de livros sobre o crime organizado. Meia Folha gostava de ler obras sobre mafiosos italianos, cartéis de droga colombianos, rota da cocaína no Brasil e títulos relacionados ao surgimento e expansão das maiores facções criminosas do país: o PCC, nascido em São Paulo, e o CV (Comando Vermelho), do Rio de Janeiro.
Polícia localizou livros. A coleção literária foi encontrada por policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Santos, em 6 de setembro de 2019, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em um apartamento de luxo no Guarujá, relacionado a Meia Folha.


Na ocasião, os investigadores também localizaram um cofre escondido em um quarto, mas não conseguiram abri-lo porque não tinham a senha. No imóvel, estavam a ex-mulher de Meia Folha e dois filhos do casal. Ele chegou depois, com seu advogado, e acompanhou as buscas. No cofre, havia R$ 51 mil. O mandado de busca e apreensão foi expedido pela 2ª Vara Criminal do Guarujá, a pedido da DIG, após receber uma denúncia apócrifa informando que aquele imóvel ligado a Meia Folha era usado para armazenar drogas e armas. Mas nada de ilícito foi encontrado no local.


Apartamento luxuoso. Os agentes fotografaram todos os cômodos do apartamento, desde a biblioteca até as garrafas de bebidas importadas, como vinhos e uísques. Na sala ampla, havia ao menos três jogos de sofá, móveis modernos e quadros pendurados na parede.

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Prefeitura do Guarujá tem contratos com chefe do PCC morto no litoral de SP

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