Na tarde de terça-feira (11), o jovem Gustavo Freitas, de 20 anos, decidiu fazer uma publicação que considera extremamente importante para si. Pela primeira vez, ele compartilhou uma foto em uma cadeira de rodas. A imagem representou uma forma de o jovem se libertar da vergonha que tinha de falar abertamente sobre ter se tornado cadeirante.

Gustavo em uma imagem compartilhada nas redes sociais meses atrás: ele escondia o fato de ser cadeirante

 

“Nunca postei foto na cadeira. Muitos nem sabem desse pequeno detalhe. Depois de quase quatro anos, essa vai ser a primeira de muitas fotos. Me privei de muitos momentos legais durante esse tempo”, escreveu no texto que acompanhou a imagem, na qual ele aparece sentado na cadeira de rodas em uma cachoeira.

A publicação do jovem, que mora em Manaus (AM), viralizou nas redes e comoveu diversas pessoas, que elogiaram a atitude dele. “Você é inspiração para muitos”, escreveu uma mulher. “Gigante! percebeu que o grande barato da vida é viver de verdade”, disse outra.

A seguir, o relato de Gustavo à BBC News Brasil:

“Quando eu tinha 16 anos, tinha uma vida muito ativa. Trabalhava como menor aprendiz, jogava futebol e treinava jiu-jitsu. Sempre fui muito voltado para os esportes. A minha vida era tranquila, até que comecei a sentir dores nas costas, como se algo estivesse me rasgando.

Essas dores fortes começaram em uma sexta-feira. Naquele fim de semana, elas foram suportáveis. Mas na segunda-feira, se intensificaram muito e eu tive de procurar atendimento médico em um hospital público perto de casa. Os médicos disseram que era virose. Me receitaram remédios, voltei para casa e as dores continuaram da mesma forma.

Fui ao hospital nos dias seguintes e sempre diziam que não era nada muito grave.

Comecei a sentir pontadas muito fortes no peito esquerdo. Cheguei a fazer um eletrocardiograma, que apontou que não havia nenhum problema no meu coração. No dia seguinte, o meu pescoço ficou rígido e tive febre. Pareciam sintomas de meningite. Fiz os exames, que deram negativo para a doença.

Na sexta-feira, uma semana depois do início do mal-estar, as dores estavam intensas. Fui dormir durante a tarde, com as minhas pernas formigando. Quando acordei, por volta das 17h30, não senti mais as minhas pernas. Como eu tinha pernas fortes porque sempre joguei futebol, pensei que fossem câimbras.

Meus parentes me carregaram ao hospital. Fiz vários exames para ver diversas doenças que poderiam ser, mas nada foi confirmado.

Os médicos descobriram que havia um abscesso, como se fosse uma bola de pus, na região torácica da minha coluna cervical, nas proximidades da minha nuca. Passei por uma cirurgia de emergência. Depois, fiz tratamento com antibióticos. Mas ainda assim perdi os movimentos das minhas pernas.

Até hoje não sei o que me deixou na cadeira de rodas. Os médicos não souberam me informar exatamente o que causou essa bola de pus na coluna.

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