A facilitação ao acesso a armas, uma das principais bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (PL), é o tema que mais divide homens e mulheres no Brasil. É o que mostram dados inéditos de uma pesquisa Genial/Quaest a qual a BBC News Brasil teve acesso com exclusividade.
Enquanto 82% das mulheres são contra armar a população, só 63% dos homens expressam o mesmo posicionamento. Perguntados sobre outros temas polêmicos, como legalização do aborto e diminuição da maioridade penal, homens e mulheres não demonstraram o mesmo grau de mesma discordância.
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O resultado do levantamento, feito a partir de 2 mil entrevistas presenciais realizadas na semana passada em todo o Brasil, mostra por que causou polêmica a declaração do presidente, em um evento exclusivo para mulheres eleitoras em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, no último fim de semana.
“Quando precisar trocar um pneu sozinha na rua e vier pessoas na sua direção, prefere ter na bolsa uma Lei Maria da Penha ou uma pistola? E ninguém aqui é contra Maria da Penha. Nosso governo foi o que mais prendeu machões”, afirmou Bolsonaro, em referência à legislação de 2006 que protege mulheres contra a violência doméstica.
Desde que assumiu, Bolsonaro publicou uma série de decretos e portarias que ampliaram o acesso a posse e porte de arma de fogo, armas de uso restrito e munições. Atualmente, o número de armas à disposição de civis no Brasil já supera a quantidade de armamento do contingente da Polícia Federal.
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Nesta segunda (5/9) o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão de parte dessas novas regras para limitar a circulação de armas, alegando “risco de violência política”.
Uma análise nos dados da Polícia Federal sobre novos registros de armas mostram que os beneficiários da flexibilização no acesso a armamento foram majoritariamente os homens. A BBC News Brasil tabulou as informações obtidas pelo portal de transparência Fiquem Sabendo, que mostram na prática a diferença apontada na pesquisa da Quaest: entre 2019 e o primeiro trimestre de 2022, mais de 96% dos novos registros de armas foram feitos por homens.
A pesquisa da Quaest sugere que esse eleitor beneficiado pela flexibilização das armas demonstra fidelidade a Bolsonaro. A pesquisa mostra que 45% dos que declaram voto no atual presidente também afirmam ser contrários às ações para facilitar o armamento. Já entre os que declaram voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o percentual de desaprovação quase dobra (88%).
Se pode contar com o apoio dos homens afeitos às armas, Bolsonaro tem entre suas maiores fragilidades a baixa intenção de voto no eleitorado feminino. Em agosto, o Datafolha mostrou que 53% das mulheres diziam rejeitar Bolsonaro.
O desafio é enorme, especialmente para o candidato que busca a reeleição e aparece atualmente mais de dez pontos percentuais atrás de Lula, que lidera as sondagens
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, com 82 milhões de votantes, as mulheres são a maioria do eleitorado feminino (53% dos votos). Entre o grupo de 16 e 17 anos, o percentual chega a 54% e a 56% na faixa acima de 70 anos ou mais. Elas são também a maioria entre os indecisos.
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