O papa Francisco telefonou na tarde de sábado (10) para o padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua em São Paulo, para perguntar sobre os moradores que vivem nas ruas da cidade.

“O papa disse que viu as fotos que enviamos para ele e que sabe das dificuldades que passamos, mas que não desanimemos e façamos sempre como Jesus, estando junto dos mais pobres”, disse.

Foto de arquivo de 9 de janeiro de 2020 do padre Júlio Lancelotti em sua paróquia, na Igreja de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, na região Central de São Paulo. — Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo

Segundo o padre, o papa pediu para transmitir aos moradores de rua o seu amor e proximidade. Solicitou também que todos rezem por ele e disse que reza por todos.

O telefonema do papa foi feito às 14h15, a partir de um número não identificado. “Sou o papa Francisco”, disse quando o padre atendeu.

Segundo comunicado divulgado pela Arquidiocese de São Paulo, Francisco perguntou se o padre preferia falar em espanhol ou italiano e em seguida contou ter visto as fotos do atendimento realizado a moradores de rua durante a pandemia do coronavírus.

“Eu levei um susto. Quanto ele disse que era o papa Francisco, fiquei incrédulo no primeiro momento”, afirmou Lancellotti. Em maio, o papa telefonou para o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, e disse estar preocupado com o impacto da pandemia na população mais pobre.

No dia 15 de setembro, Lancellotti registrou um boletim de ocorrência por ameaça após ser xingado por um motoqueiro. Além disso, o candidato a prefeito de São Paulo pelo Patriotas, deputado Arthur do Val, gravou vídeos em que culpa o padre pela situação da cracolândia.

O caso foi registrado como injúria e ameaça, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

Pedagogo, o padre é pároco da Igreja São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, na zona leste. Sua atuação em defesa dos direitos humanos já lhe rendeu prêmios e ameaças de morte.

De acordo com censo da prefeitura, há 24.344 moradores de rua na cidade de São Paulo, dos quais 7.002 estão no grupo de maior risco para o coronavírus e têm mais de 50 anos, e 2.210 têm mais de 60 anos. Do total, 12.651 vivem em situação de rua -os demais, em abrigos.