Os brasileiros que lutam pelo reconhecimento do gênero neutro: ‘Nem homem, nem mulher’

A partir da década de 80, os estudos de gêneros passaram a abordar uma vertente que não incluía somente masculino ou feminino

BBC Brasil

Jinx, de 22 anos, se considerava um garoto bissexual, mas hoje se apresenta como indivíduo sem gênero definido Direito de imagemPIOTR BIALAS

 

Os comentários sobre a aparência geravam desconforto em Jinx Vilhas, de 22 anos, durante a puberdade. “Nesse período, minha barba estava crescendo e isso me incomodava”, revela. Desde a infância, se perguntava sobre o modo como eram divididos os gêneros masculino e feminino. Na adolescência, os questionamentos se intensificaram. “Comecei a achar que não fazia muito sentido ter que se definir como homem ou mulher. Notei que havia algo errado na forma como o mundo se divide entre azul ou rosa”, relata à BBC News Brasil.

Até os 16 anos, Jinx se considerava um garoto bissexual. Depois, passou a se apresentar como indivíduo sem gênero definido. “Eu percebi que não conseguia me identificar como homem ou mulher”, explica. Uma das primeiras atitudes foi pedir que não o identificassem mais pelo nome de batismo. A partir de então, tornou-se Jinx. O nome, inspirado em uma drag queen do reality show norte-americano RuPaul’s Drag Race, foi escolhido por ser considerado de gênero neutro.

Também na infância, Cup, hoje com 22 anos, passou a notar que era diferente dos demais garotos da sua idade. “Sempre me senti desconexo. Me colocavam nessa definição de menino. Nunca entendi porque deveria haver essa classificação. Mas eu também não entendia o que sentia, então apenas vivia sem me importar com imposições de masculinidade”, comenta.

Apesar de não se identificar como pertencente ao gênero masculino, Cup também nunca se viu como mulher transgênero. “Foi quando passei a pesquisar mais sobre o assunto e descobri que eu poderia ser uma pessoa sem gênero definido”, diz o estudante de publicidade, que tem os cabelos coloridos de azul e rosa.

Jinx e Cup se identificam como pessoas não-binárias. O termo, ainda pouco conhecido, é utilizado para denominar aqueles que não se classificam exclusivamente em nenhum dos gêneros binários – masculino ou feminino.

São pessoas que podem se sentir transitando entre os dois gêneros, sem necessariamente estar em um deles. São os indivíduos que resistem à normalização de gêneros. São pessoas cujos corpos denunciam uma resistência à imposição de normas”, explica a psiquiatra e educadora sexual Alessandra Diehl, especialista em sexualidade humana.

A partir da década de 80, os estudos de gêneros passaram a abordar uma vertente que não incluía somente masculino ou feminino. Desde então, conforme especialistas consultados pela BBC News Brasil, surgiu o termo não-binários – também denominado por estudiosos como ‘genderqueer’.

Diehl ressalta que apesar de estudos recentes, indivíduos não-binários existem há séculos. “A diferença é que agora há estudiosos que abordam essa desconstrução do gênero.”

Para ler a matéria completa na BBC Brasil clique aqui.

Sair da versão mobile