Uma mulher de 62 anos foi resgatada após ser submetida a condições análogas à escravidão por 49 anos. Além disso, ela cuidou da patroa acamada durante décadas, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

Imagem atual: Imagem mostra uma mulher idosa em uma cozinha clara, próxima ao fogão, preparando alimentos. Ela veste roupas simples e está em pé ao lado de uma panela sobre o fogão. Ao fundo, há uma pia, armários brancos e uma janela com cortinas vermelhas. O rosto da mulher está desfocado para preservar sua identidade. A fotografia foi divulgada durante a apuração de um caso de trabalho escravo envolvendo uma mulher resgatada após décadas de exploração.
Caso de trabalho escravo envolvendo mulher de 62 anos foi descoberto após denúncia às autoridades trabalhistas. Foto: Reprodução/Metrópoles

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a idosa trabalhava para a mesma família desde os 12 anos. As informações são do portal Metrópoles.

Mulher submetida a trabalho escravo foi impedida de estudar

As investigações apontaram que a mulher exercia atividades diárias sem folgas, férias ou qualquer outro período regular de descanso desde 1977. Além disso, ela foi retirada da escola ainda na infância e permaneceu analfabeta.

A vítima foi resgatada após o caso ser denunciado no Sistema Ipê, plataforma oficial do governo federal criada especificamente para o recebimento de denúncias de trabalho análogo à escravidão. A ação contou com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT).

As autoridades também informaram que a mulher chegou a ter a carteira de trabalho assinada e recebeu valores a título de salário. No entanto, ela não tinha controle sobre o próprio dinheiro.

Durante a fiscalização, foi possível apurar que os encontros com familiares possuíam curta duração e eram acompanhados pela patroa. Além disso, foram poucas as vezes em que a trabalhadora visitou os parentes. A mulher vivia praticamente sem vida social ou familiar.

Mesmo aposentada, idosa foi mantida sob manipulação

Em 2015, após a aposentadoria, a mulher continuou trabalhando sem receber qualquer pagamento ou bonificação, de forma ininterrupta.

Nos últimos anos, a mulher passou a cuidar integralmente da empregadora, idosa e acamada. Segundo os auditores-fiscais, o isolamento era reforçado por mecanismos de manipulação psicológica, fazendo com que a vítima acreditasse que, caso deixasse a residência, a patroa poderia morrer.

Vítima foi resgatada

Após o resgate, a Inspeção do Trabalho determinou o afastamento da vítima. Uma rescisão foi calculada em aproximadamente R$ 1,7 milhão, incluindo verbas salariais, férias, 13º salário e indenização por danos morais.

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