O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina concluiu que não há indícios de fraturas ou lesões ósseas causadas por ação humana no corpo do cão Orelha. O documento, ao qual a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, teve acesso, afirma que nem mesmo o crânio do animal apresentou fraturas compatíveis com agressão.

Imagem do Cão Orelha, morto na Praia Brava, que teve seu corpo exumado para um novo laudo, que revelou que há ausência de lesões que comprovem ação humana.
O documento, no entanto, não descarta completamente a ocorrência de um trauma no crânio. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O laudo foi produzido após solicitação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que pediu novas diligências do caso. O corpo de Orelha foi exumado no dia 11 de fevereiro, pouco mais de um mês após a morte do animal, ocorrida na região da Praia Brava, em Florianópolis.

Novo laudo do cão Orelha descarta lesões ósseas causadas por ação humana

Segundo os peritos Igor de Salles Perecin e Paulo Eduardo Miamoto Dias, todos os ossos do animal foram cuidadosamente analisados de forma visual. Ainda assim, os especialistas destacam que não foi possível determinar a causa da morte.

O laudo também descarta a hipótese de que um prego tenha sido cravado na cabeça do cão. De acordo com os peritos, esse tipo de agressão deixaria uma fratura circular no crânio, o que não foi constatado durante a análise.

Documento não descarta a ocorrência de trauma

Apesar disso, os profissionais ressaltam que a ausência de fraturas não permite descartar completamente a ocorrência de um trauma contundente.

“A ausência de fraturas no esqueleto do animal não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo. A literatura especializada afirma que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, porém ainda são capazes de levar os animais a morte”, explica o documento.

O laudo também explica que o trauma cranioencefálico pode ser classificado como primário, ocorrido no momento da agressão, ou tardio, com os efeitos podendo surgir em minutos ou dias, como edema cerebral, inflamações ou aumento da pressão intracraniana.

“Assim, é plenamente plausível que o animal tenha sofrido um trauma contundente em cabeça em um dia e piorado clinicamente de forma progressiva até o outro. O aparecimento dos efeitos secundários depende de uma resposta individual do animal, tipo de instrumento utilizado, velocidade do golpe, idade do animal, entre outros”, explicam os profissionais.

Corpo de cão Orelha já estava em fase de esqueletização

Os especialistas também esclarecem que, no momento da exumação, o corpo já se encontrava em “fase de esqueletização”, o que comprometeu a análise de tecidos moles. Por isso, o exame se limitou à avaliação detalhada dos ossos remanescentes, com o objetivo de identificar possíveis lesões de origem traumática.

Durante o procedimento, foi observada “uma área de porosidade óssea” na região maxilar esquerda do crânio do animal, alteração considerada crônica e sem relação com o trauma recente. Alterações na coluna vertebral também foram identificadas, mas, segundo o laudo, são compatíveis com a idade avançada do animal e não indicam lesão recente.