A Justiça de Curitiba concedeu, na tarde desta sexta-feira (24), a liberdade aos três homens suspeitos de tentativa de extorsão contra o ex-BBB Diego Gasques Alemão. De acordo com o juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, os três presos em flagrante são primários e os crimes praticados não foram graves a ponto de justificar a prisão preventiva. Segundo a Polícia Civil, os três teriam entrado em contato com o advogado de Alemão, Jeffrey Chiquini, e oferecido R$ 50 mil para a não divulgação de mais imagens da prisão do ex-BBB.

Daniel Alves seria o autor do vídeo que mostra a prisão de Diego Alemão (Reprodução)

Entre os investigados, está o homem que filmou a prisão de Diego Alemão: Daniel Alves. Os outros dois liberados são os advogados Walter José de Fontes e Maurício Gomes Tesseroli.

Para as defesas dos três, a prisão foi ilegal, uma vez que o flagrante teria sido preparado. O advogado que representa Tesseroli, Ygor Nasser Salmen, disse em entrevista à Banda B que a decisão é extremamente positiva. “Era a única decisão possível e cabível nesse caso, em razão da ilegalidade que foi cometida contra um advogado em pleno exercício da profissão. Dr. Maurício estava trabalhando, nunca cometeu qualquer crime e foi vítima de uma armação, por pessoas mal intencionadas. São pessoas que buscam se esquivar do poder judiciário, não tem coragem de enfrentar as responsabilidades e uma pessoa que não quer responder aos crimes que cometeu, que foi dirigir embriagado, lesão corporal, desacato e outros”, afirmou.

Para a liberdade dos três, a Justiça determinou algumas medidas cautelares, como o comparecimento bimestral em Juízo e a proibição de se ausentar da Comarca por prazo superior a oito dias, sem prévia autorização judicial.

Extorsão

De acordo com o advogado de Diego Alemão, os três detidos teriam entrado em contato e oferecido R$ 50 mil para a não divulgação de mais imagens da prisão ocorrida no último sábado (18). A Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) de Curitiba acompanhou toda a negociação e realizou os flagrantes no momento em que o crime foi configurado.

O delegado Marcelo Magalhães disse que o crime se configurou com o recebimento de parte do dinheiro pelos suspeitos. “Com a tentativa de extorsão, nossa delegacia foi acionada e a entrega de parte do valor consumou a extorsão. Vamos agora verificar ainda a possibilidade de autuação por fraude processual e organização criminosa”, explicou.

Outro lado

Após a concessão da liberdade, o advogado Jeffrey Chiquini enviou nota à Banda B. Confira na íntegra:

Essa liberdade provisória é apenas um benefício concedido pela lei processual para que primários respondam ao processo em liberdade.

A prisão em flagrante foi homologada pelo Juiz, que entendeu por sua legalidade, decretando medidas cautelares diversas da prisão, conforme admite a legislação vigente.

Esta defesa de Diego Gasques manifesta repúdio à qualquer tentativa de “acerto” para fraudar rito processual.

Exigir vantagens indevidas para não divulgar imagens e alterar depoimento, configura crime de extorsão.

O comportamento dos advogados na representação de seu cliente envergonhou a classe dos advogados brasileiros, que, diferentemente deles, tem compromisso de resguardo da lei e combate à qualquer forma de ajuste ilícito e chantagem.

Confiamos na justiça brasileira, por isso não aceitamos as exigências indevidas.

Caso Alemão

Diego Alemão foi preso após acidente ocorrido no fim da madrugada do último sábado (18), na Rua João Alencar Guimarães, no bairro Santa Quitéria. O ex-BBB dirigia uma Mitsubishi Pajero e bateu contra o Renault Fluence do motorista de aplicativo Fabio Rosário, que estava estacionado.

Após um princípio de confusão, Alemão acabou preso pela Polícia Militar e foi levado à Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran). Ele permaneceu detido por aproximadamente 30 horas.

Na quarta-feira (29), o caso ganhou contornos de novela, após a prisão de Daniel Alves, Walter José de Fontes e Maurício Gomes Tesseroli.

Segundo a defesa de Alemão, Alves teria contratado Fontes e Tesseroli para uma extorsão, com a venda de imagens inexistentes da prisão.