O jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que morreu ao invadir um zoológico de João Pessoa (PB) e ser atacado por uma leoa, tinha transtornos mentais e acumulava mais de 15 passagens pela polícia.
Machado entrou no recinto do animal ao escalar as grades e foi atacado logo em seguida. O caso aconteceu no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, conhecido como Bica, durante o horário de funcionamento. O ataque foi registrado em vídeos por testemunhas.
A Prefeitura de João Pessoa informou, em nota, que ele escalou uma parede de mais de seis metros, acessou uma das árvores e invadiu o recinto. Para a Polícia Civil, Gerson entrou no local com o objetivo de tirar a própria vida.
Das 16 passagens policiais do jovem, dez foram registradas quando ele era menor de idade. Ele já teria fugido de um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). A conselheira tutelar que acompanhou “Vaqueirinho”, como ele era conhecido, disse que ele conviveu com o abandono e a rejeição.
Segundo Veronica Oliveira, ele era filho e neto de pessoas diagnosticadas com esquizofrenia. No entanto, nunca recebeu o tratamento adequado.

“Gerson, meu menino sem juízo… Quantas vezes, na sala do Conselho Tutelar, você dizia que ia pegar um avião para ir a um safári na África cuidar de leões. Você ainda tentou. E eu agradeci a Deus quando o aeroporto me avisou que você tinha cortado a cerca e entrado no trem de pouso de um avião da Gol. Graças a Deus, observaram pelas câmeras antes que uma tragédia acontecesse”, escreveu a conselheira em uma rede social.
Veronica disse ter tido o primeiro contato com Gerson quando ele tinha apenas dez anos. “Eu e a conselheira Patrícia Falcão recebemos você das mãos da PRF, encontrado sozinho na BR. Desde então, toda a Rede de Proteção me procurava sempre que algo acontecia com você”, afirmou.
Segundo ela, o jovem foi impedido de ser adotado como os outros quatro irmãos e queria “voltar a ser filho de sua mãe”. “Mas a sociedade, sem conhecer sua história, preferiu te jogar na jaula dos leões”, protestou Verônica.