Em 2024, o outono tem sido um tanto diferente. Em São Paulo, a estação foi marcada por ondas de calor e no início do mês, a capital registrou o dia mais quente da história para maio –no dia 5, os termômetros registraram 32,8ºC.

No inverno, que terá início no dia 21 de junho, temperaturas acima do comum também devem ser registradas.

Segundo o meteorologista Vinicius Lucyrio do Climatempo, a projeção para a estação que costuma ser a mais fria do ano é de temperaturas acima do normal na maior parte do Brasil, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte, além de parte do Nordeste.

Também é esperado mais calor na região Sudeste, como no estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro. Além disso, o norte do Paraná deve registrar temperaturas acima de média. “Isso não quer dizer que não teremos frio em áreas do Centro-Sul do país”, diz Lucyrio.

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Foto: Gilson Abreu/AEN

O motivo principal para as temperaturas mais altas é que, no fim do outono e começo do inverno, o El Niño pode ter um efeito residual –o fenômeno trouxe elevação nas temperaturas médias a nível global. “Ele interfere favorecendo temperaturas mais elevadas em toda a parte do país, o que já observamos no ano passado.”

Outro fator que favorece a elevação das temperaturas neste período do ano, é o fato de que o oceano Atlântico, que banha todo o litoral do país, está ainda muito aquecido.

“Algumas áreas do Atlântico Subtropical, ou seja, abaixo do Trópico de Capricórnio, já estão começando a mostrar algum resfriamento, mas as áreas tropicais ainda estão muito aquecidas. Isso é calor armazenado nos oceanos, que volta, de certa forma, para a atmosfera. E, isso aquece o país como um todo.”

Além das temperaturas elevadas, a estação deve ser marcada por uma condição de tempo mais seca do que o normal no interior do país.

“Na região Sul, a chuva deve diminuir de forma gradual ao longo do inverno”, diz o meteorologista que explica que, no início da estação, é previsto o fenômeno La Ninã, que começa no Oceano Pacífico –o fenômeno é marcado pelo resfriamento anômalo das águas do oceano Pacífico Equatorial.

Apesar disso, a tendência é que isso não leve a uma queda nas temperaturas na maior parte do país. “As frentes frias vão chegar no Sul, mas terão dificuldade de avançar para o interior do país”, diz o metereologista.

“O La Ninã traz uma condição favorável ao tempo mais seco em todo o Centro-Sul e em todo o interior do país durante o inverno. Isso indica que nós vamos ter, provavelmente, um inverno marcado pela atuação de grandes massas de ar seco que vão acabar configurando bloqueios atmosféricos”, afirma Lucyrio.

Assim, se há previsão de bloqueio, ou seja, uma massa de ar seco sobre uma região e dificultam a passagem de frentes frias por muito tempo, é previsto o aquecimento da superfície. “Esse ar quente acaba expandindo para áreas do Centro-Oeste do país, então deve produzir temperaturas acima da média e dificultar a chegada dessas frentes frias.”

A expectativa é que a estação seja marcada por temperaturas de 1ºC a 3ºC acima da média no Centro-Oeste, assim como em algumas áreas do estado de São Paulo. Entre as regiões que devem registrar um inverno mais comum estão o interior de Minas Gerais e parte do Nordeste, que terão noites mais frias e tardes moderadamente quentes.

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Inverno deve ser mais quente que a média na maior parte do Brasil; chuva deve diminuir no Sul

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