Uma mulher de mais de 80 anos aguarda o resultado do teste de coronavírus há oito dias em uma UTI de um hospital na Baixada Santista, em São Paulo. Sob condição de anonimato, o Estado conversou com o filho dessa mulher, que demonstrou angústia pela falta do diagnóstico preciso e pelo que isso pode representar para a saúde da mãe e todos que tiveram contato com ela. A coleta do material aconteceu no dia seguinte à internação, na quarta-feira da semana passada, 18, e até agora a família não conhece o resultado.

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Dos profissionais de saúde, o filho recebeu diferentes prazos. Inicialmente, o hospital informou que demoraria cerca de dez dias, uma médica falou em sete dias e de outros especialistas ouviu que o prazo está sendo de até 20 dias para saber se uma pessoa está ou não com coronavírus. “Por que está demorando? Está preso no (Instituto) Adolfo Lutz, me dizem”, contou o homem

O Instituto Adolfo Lutz é considerado o principal órgão de vigilância epidemiológica do Estado e o governo já vem tentando soluções para os casos que estão ficando represados lá. Nesta semana, o governador João Doria (PSDB) anunciou o início da operação em um novo laboratório no Instituto Butantan, criado para absorver essa demanda.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o instituto “está priorizando o processamento das amostras de casos graves e óbitos”. Disse ainda que, de acordo com o Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo e do Centro de Operações de Emergências (COE -SP), o teste “não impacta no tratamento da pessoa, que é feito apenas do ponto de vista clínico”. A pasta afirmou que adquiriu 60 mil testes extras para suporte do instituto.

A espera para a família citada nesta reportagem continua. Um dos receios deles é o fato de a idosa estar em uma ala separada para pacientes com coronavírus. Se ela não estava com a doença antes, poderia ser infectada lá, temem. Os médicos disseram aos parentes que, para o tratamento, o diagnóstico de coronavírus não mudaria muito do que já está sendo feito, no máximo a adequação pontual da medicação atual.

De qualquer forma, a família pede respostas. “Fico pensando no número de gente que morreu por isso e não entra na estatística oficial, vai entrar como pneumonia”, disse o filho.