Os dados oficiais de internações no Brasil por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em meados de março já se revelam o dobro das estimativas divulgadas na semana passada. Em meio à epidemia de coronavírus no País, o Ministério da Saúde divulgou neste sábado, 28, que na semana entre 15 e 21 de março houve 4.932 internações no País de pacientes com SRAG. É uma alta de 428% em relação ao registrado no mesmo período de 2019.

(Foto: EBC)

 

Na sexta-feira, o Estado publicou uma análise do sistema InfoGripe, da Fiocruz, que já estimava a internação de cerca de 2.250 pessoas nessas condições – além de febre, tosse, e outros sintomas, elas têm dificuldade de respirar no Brasil – naquela semana. Mas a realidade se mostrou ainda mais dramática.

A SRAG é uma definição que vale para vários tipos de infecções por vírus respiratórios, como os da influenza, além do novo coronavírus. Como os testes ainda estão ocorrendo com lentidão no País, apenas uma pequena parcela já foi confirmada como covid-19. Só em São Paulo, por exemplo, o governador João Doria afirmou nesta segunda que há 12 mil amostras aguardando análise no Instituto Adolfo Lutz.

Mas acredita-se que a maioria seja por causa dele, visto que a taxa está muito acima da média para o período. “A mudança recente na velocidade de crescimento sugere algo novo. Como coincide com o crescimento dos casos confirmados de covid-19 e a confirmação da transmissão comunitária, é grande a chance de que boa parte desses casos seja em função do novo vírus, que se somou a essa tendência de alta”, havia afirmado Marcelo Gomes, pesquisador em saúde pública do Programa de Computação Científica da Fiocruz e coordenador do InfoGripe.

Os números da semana passada ainda estão sendo atualizados. O InfoGripe deve publicar uma estimativa entre esta terça e quarta-feira.

Com o objetivo de ajudar o governo no trabalho de vigilância epidemiológica, esse sistema trabalha desde 2014 com estimativas com base nos dados digitados no sistema público e notificações, levando em conta que há um tempo entre identificação do caso e essa informação entrar no banco de dados, ou seja: entre ocorrência do evento e ele estar disponível no banco de dados, explico Gomes nesta segunda.

Em geral, as estimativas se confirmam como corretas assim que o banco de dados é atualizado, mas a emergência atual está se mostrando “aberrante”, nas palavras de Gomes. “Pode ser que com uma semana de atraso foi digitado um percentual do total de casos muito acima do se esperava. É uma questão de proporções. A gente leva em conta quantos foram digitados na própria semana e, com base no padrão histórico de atraso de digitação, faz a projeção de quantos ainda vão ser digitados nas próximas semanas. Mas agora foram digitados muito mais casos com uma semana de atraso, em relação ao que entrou no sistema na própria semana”, explica.