Dois dias preso a uma árvore e se alimentando com apenas duas goiabas. Foi neste cenário que o capitão do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas do Paraná (BPMOA), Alexandre Bettiol Ferelli, e sua equipe encontraram um morador de Lajeado (RS) após enchentes. A maior tragédia climática do Rio Grande do Sul deixou 113 mortos e afetou 1,9 milhão de pessoas até a manhã desta sexta-feira (10).

De acordo com Ferelli, o resgate do morador — que não teve a identidade revelada — aconteceu no segundo dia em que a equipe de bombeiros estava em solo gaúcho. Antes de encontrarem o homem agarrado a uma árvore, a mesma equipe salvou familiares dele, que estavam ilhados em cima do telhado de um imóvel.

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Homem ficou preso a árvore durante dois dias e se alimentou com apenas duas goiabas – Foto: Reprodução/BPMOA do Paraná

“Fizemos o resgate de uma família em elevado nível de hipotermia, em cima do telhado de uma casa. Eram dois idosos e um rapaz. Depois, fizemos o resgate do marido de uma dessas vítimas, que estava há mais de dois dias em cima de uma árvore, com hipotermia. Assim que o resgatamos, ele falou que havia se alimentado de duas goiabas que estavam na árvore”, narrou o capitão.

Logo após o vídeo do resgate ser registrado, o homem afirmou aos bombeiros que sabia que seria salvo. “Ele disse: ‘Eu sabia que vocês viriam me resgatar’. Isso para mim foi muito marcante”, acrescentou Alexandre, que revelou ter “lutado” para impedir que “o emocional interferisse” em seu trabalho. “Nós vestimos uma carapaça psicológica para não misturar as coisas”, disse.

Os 34 bombeiros do Paraná enviados ao Rio Grande do Sul realizaram mais de 1.000 resgates de pessoas e animais durante o período em que estiveram no Estado. Além de Lajeado, eles passaram por São Sebastião do Caí, Canoas, Eldorado do Sul, Porto Alegre, Novo Hamburgo e Guaíba. Eles chegaram no RS no dia 2 e se concentraram principalmente em localizar e transportar para locais seguros pessoas que ficaram ilhadas. A equipe utilizou uma aeronave, nove viaturas e seis embarcações.

Segundo a Defesa Civil, havia 69 mil pessoas em abrigos até a manhã desta sexta. Veja outros números abaixo:

  • 113 mortes
  • 146 desaparecidos
  • 756 feridos
  • 69.617 desabrigados (quem teve a casa destruída e precisa de abrigo do poder público)
  • 337.116 desalojados (quem teve que deixar sua casa, temporária ou definitivamente, e não precisa necessariamente de um abrigo público –pode ter ido para casa de parentes, por exemplo)
  • 1.916.070 pessoas afetadas no estado

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Bombeiro do PR se emociona ao relatar resgate de homem preso a árvore durante dois dias no RS: ‘Duas goiabas’

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