Um jovem de 23 anos morreu após supostamente reagir a uma abordagem policial, por volta das 23h20 desta terça-feira (10), em Diadema (ABC). Bruno Gomes de Lima Simon Fuentes foi ferido com um tiro na região do pescoço e não resistiu.

(Foto: EBC)

 

Policiais militares afirmaram em depoimento à Polícia Civil que o garupa de uma moto, guiada por Fuentes, teria tapado com uma das mãos a placa do veículo, logo após avistar a viatura da PM. Por causa disso, uma perseguição teve início.

Uma câmera de monitoramento registrou o momento em que a moto Honda CG 160 passa em alta velocidade pela rua Pedro José de Rezende, seguida por uma viatura do 24º Batalhão da PM. Alguns metros adiante, Fuentes teria perdido o controle do veículo, provocando a queda dele e do garupa, um porteiro de 22 anos.

O garupa se rendeu de imediato, segundo boletim de ocorrência, enquanto Fuentes teria tentado embarcar novamente na moto para fugir. Um PM de 25 anos desembarcou da viatura, com arma em punho, ordenando para que Fuentes se rendesse.

“O suspeito virou-se, avançou na sua direção [do policial] e tentou desarmá-lo. Naquele momento entrou em luta corporal com o agressor, com troca de agressões mútuas, havendo um disparo na sua direção do agressor, que o atingiu na região do pescoço”, diz trecho do documento policial. O PM afirma que foi ferido no braço e joelho por causa das agressões.

Em seguida, dois tenentes do 24º BPM chegaram ao local e a arma supostamente usada para matar Fuentes foi entregue para um deles, que não apresentou a pistola calibre ponto 40 ao 3º DP de Diadema, onde o caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial, desobediência, resistência e posse de drogas –com Fuentes foram encontradas duas pequenas porções de maconha.

O comando do batalhão da PM alegou à Polícia Civil, segundo boletim de ocorrência, que apreendeu a arma “para apuração de falta administrativa”. “Não há respaldo legal para apreensão da arma de fogo por superiores oficiais do 24º BPM”, alerta trecho do documento policial, assinado pelo delegada Valéria Andreza do Nascimento.

Ela acrescenta ainda entender ser de competência da Polícia Civil a apuração “exclusiva” dos fatos. “Tal situação [não apresentação da arma na delegacia] frustrou o cumprimento da lei processual penal que determina a apreensão pela autoridade competente de todos os objetos relacionados ao fato criminoso, bem como a realização do conseguinte exame pericial”, diz outro trecho do documento assinado pela policial.

OUTRO LADO

Segundo a a SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB), todas as circunstâncias relativas aos fatos são investigadas pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa de Diadema. A Polícia Militar também instaurou Inquérito Policial Militar para apurar o caso, Corregedoria da corporação acompanha o andamento do procedimento. A arma foi encaminhada para perícia, junto ao Instituto de Criminalística (IC). O laudo pericial também ficará disponível à Polícia Civil.