Câmeras corporais da Brigada Militar mostram uma ação que acabou em tragédia. Dois policiais foram acionados pela família de Herick Cristian da Silva Vargas, de 29 anos. Desarmado, o homem, que sofria de esquizofrenia e havia consumido drogas, estava em surto psicótico dentro de casa em Porto Alegre (RS). A família acionou a equipe com esperança de conter o surto e interná-lo, mas o desfecho foi fatal.

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Foto: Reprodução Band TV.

As imagens mostram Herick no chão de um quarto, acompanhado pela mãe, pela avó e pela tia. A mãe relata aos agentes que o filho usou cocaína pela manhã e à tarde, e havia ameaçado tirar a própria vida por overdose. Ela diz que pretendia chamar o SAMU para interná-lo. As informações são da Band TV.

Um dos policiais tenta dialogar com o jovem, alegando que está ali para ajudar. Herick, desorientado, grita repetidamente para que atirem nele. Em pouco tempo de conversa, o agente dispara uma arma de choque várias vezes, mas Herick avança sobre ele, que acaba caindo.

O policial então ordena que os familiares se afastem e dispara com arma de fogo. Na sequência, a outra policial também atira e Herick logo cai ao chão. Ele foi atingido por quatro tiros. Desesperada, a mãe do homem lamenta a cena. “A gente chamou vocês para ajudar, não pra matar meu filho”, diz aos prantos.

A ação, desde a chegada da equipe até o primeiro tiro em Herick, durou menos de cinco minutos. Os policiais entram no quarto da vítima às 14h49 e às 14h52 dão o primeiro disparo contra o homem. O SAMU chegou a ser acionado, mas Herick já estava morto.

A Polícia Civil e a Corregedoria da Brigada Militar abriram investigações, ambas concluídas com a alegação de legítima defesa, mas a família não aceita a decisão. “Foram os tiros que mataram o Herick. Eles assassinaram ele aqui dentro”, afirmou a mãe.

O caso gerou ainda mais revolta após a divulgação de áudios captados pelas câmeras corporais dos policiais. No caminho de volta ao batalhão, os agentes aparecem rindo e debochando da situação. Um deles diz: “Não tinha o que fazer.” O outro responde: “Eu sou para-raio de ladaia”, em meio a risadas.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul informou que analisa o material e solicitou informações detalhadas às Polícias Civil e Militar. A família promete lutar por justiça.

Veja vídeo: