Fux manda União fornecer medicamento ‘mais caro do mundo’ para criança com doença rara

Cada dose do Zolgensma custa cerca de US$ 2,125 milhões (R$ 11 milhões) nos Estados Unidos

Folhapress

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, determinou à União o fornecimento do remédio Zolgensma, considerado o mais caro do mundo, a uma criança portadora de AME (Amiotrofia Muscular Espinhal) tipo 2. Ela completará três anos de idade em setembro.

(Foto: EBC)



“Na complexa ponderação entre, de um lado, os importantes argumentos de ordem financeira, e, de outro, a concretização do direito de acesso à saúde, não se pode desconsiderar a relevância do direito à vida, para cuja garantia devem todos os cidadãos ser incentivados a cooperar”, afirmou Fux.

Divulgada pelo tribunal nesta segunda-feira (19), a decisão e Fux confirma a do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), de São Paulo, que havia determinado à União o fornecimento do medicamento, na forma da prescrição médica, bem como todos os custos de hospital, médicos e transporte.

Cada dose do Zolgensma custa cerca de US$ 2,125 milhões (R$ 11 milhões) nos Estados Unidos. Ele combina investimento em pesquisa e inovação tecnológica, baixa escala, aplicação única (não há sessões sucessivas para “diluir” o custo) e falta de concorrência.

Fux explicou que, embora o Supremo entenda que o Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos não registrados pela Anvisa por meio de decisão judicial, a corte admitiu a possibilidade de concessão em casos excepcionais.

Isso ocorre em alguma situações: quando houver pedido de registro do medicamento no Brasil, quando o produto tiver registro em renomadas agências de regulação no exterior e quando não houver substituto terapêutico com registro no Brasil.

“Nesse sentido, tratando o caso dos autos de medicamento órfão para doença rara, os requisitos da tese vinculante formada por esta Corte parecem estar atendidos”, disse o ministro.

De acordo com informações do processo, apesar de o medicamento ser registrado pela Anvisa apenas para uso em crianças de até dois anos de idade, ele tem a aprovação de agências renomadas no exterior para uso em crianças com até cinco anos, com peso máximo de 21 kg.

A AME é uma doença rara, causada por uma alteração do gene responsável por codificar a proteína necessária para o desenvolvimento adequado dos músculos. A doença, portanto, causa fraqueza, hipotonia, atrofia e paralisia muscular progressiva. Dados científicos apontam que a doença atinge 1 em cada 10 mil nascidos.

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