Cinco funcionários de uma clínica terapêutica em Garopaba (SC) foram presos ontem após pessoas internadas denunciarem que eram mantidas à força no local.

Vítimas eram enviadas à clínica contra a própria vontade após serem “resgatadas” e eram obrigadas a ficar ao menos três meses internadas. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, responsável pela operação, eles não tinham qualquer laudo médico que justificasse a permanência compulsória em um espaço terapêutico.

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Foto divulgação: Ministério Público de Santa Catarina

Elas denunciaram que eram forçadas a usar medicação como forma de punição, ficando dopadas. Também há relatos de violência física e psicológica e de falta de higiene no preparo de alimentos, segundo o MPSC.

Mensalidades do local custavam entre R$ 2 mil e R$ 5 mil. O MPSC não explicou se as famílias ajudavam os membros da clínica a fazer o “resgate” involuntário e nem quem pagava as mensalidades dos internados.

Apesar da prisão dos funcionários por cárcere privado, o local continua funcionando para aqueles que quiseram permanecer internados. Das 35 pessoas que estavam internadas, 22 pediram para sair e outras 13 seguiram na clínica.

Aqueles que decidiram sair foram encaminhados à assistência social da cidade. Segundo o MPSP, contato com familiares foi feito para execução de um plano de retorno das pessoas internadas para casa.

Clínica tinha cadastro para funcionar, mas só podia receber internações voluntárias. O nome do local não foi divulgado pelo MPSP e o UOL não conseguiu até o momento acesso aos representantes da clínica. O espaço segue aberto para manifestação.

O UOL buscou a Polícia Civil de Santa Catarina para saber para onde foram os funcionários presos, mas não teve retorno. Os nomes deles não foram divulgados e o MPSC informou, apenas, que eles passarão por audiência de custódia.