A escola SESI AE Carvalho, na Zona Leste de São Paulo, passou por falta de água nas últimas semanas. Pais e mães dos alunos alegam que a unidade ultrapassou dez dias com problemas no abastecimento de água. A situação estaria acontecendo desde a primeira semana de abril, com problemas de higiene e saúde segundo as denúncias ouvidas pela Banda B.

As famílias alegam que o ocorrido começou em 3 de abril. Um problema nos encanamentos da unidade causou um vazamento, não informado às famílias, que ocasionou a falta de água nas torneiras, falta de limpeza dos banheiros, uso de talheres de plástico no refeitório e mau cheiro no local.
Imagens obtidas pela reportagem mostram o estado precário dos banheiros da unidade escolar. No vídeo, é possível observar vasos sanitários entupidos, com acúmulo de dejetos.
Vídeo: Reprodução
Denúncia de falta de água em escola do SESI-SP
Os relatos ouvidos pela Banda B descrevem a falta de contato entre a escola do Serviço Social da Indústria de São Paulo (SESI-SP) e as famílias e a “falta de transparência da direção” como o cerne do problema. Pais e mães alegam que foram situados da ocorrência a partir dos filhos, sem comunicado por parte do SESI.
Minha filha e meus sobrinhos, que estudam na mesma unidade, vieram falar que a água da escola tinha acabado. No café usaram talheres descartáveis, pois nem água pra lavar a louça tinha, muito menos para lavar as mãos e dar descarga nos banheiros
afirmou uma das mães, que preferiu não se identificar por temer represálias.
Outro familiar complementou que, após conhecimento das famílias, a escola foi cobrada de diferentes formas. As respostas, porém, estariam ocorrendo somente por e-mail, dias após a cobrança dos pais e sem esclarecimentos adequados sobre a situação.
Em comunicado enviado às famílias na última sexta-feira (10), a gestão da escola informou que havia identificado um “vazamento interno no sistema hidráulico”. A complexidade do vazamento, segundo o colégio, necessitou de uma “correção maior”, estendendo o prazo do reparo. A escola reforçou que o problema estava solucionado ao envio do comunicado.
Mesmo assim, parte das famílias decidiu manter os filhos em casa até a certeza de regularização do abastecimento. Os pais que optaram pela medida informaram que os filhos estavam segurando a ida ao banheiro na escola e usando somente os sanitários de casa, reclamando de dores abdominais durante o dia.
Nesta segunda-feira (13), no entanto, os alunos voltaram a denunciar a falta de abastecimento na unidade. Eles gravaram na data as imagens dos vasos sanitários, com a persistência do problema.
O SESI enviou um novo comunicado informando o “rompimento acidental de um cano” durante os reparos, o que exigiu o fechamento do registro geral do fornecimento de água.
Os alunos relataram que a situação se normalizou nesta terça-feira (14), somente com oscilação na pressão das torneiras e das descargas.

“O mínimo é um ambiente saudável e com higiene para um estudo digno”
Outra mãe ouvida pela reportagem descreve o ambiente como “insalubre” e aponta uma possível causa para o problema. A unidade passou por uma fusão no início de 2026 com outra escola, SESI Císper, informação não comentada pela direção, mas confirmada por uma fonte anônima do local.
A escola teria passado de cerca de 800 alunos para um total de 1.500. Desde janeiro, o colégio tem passado por ajustes para comportar todos os alunos. Os pais confirmaram a informação e ressaltam que, desde então, vêm apontando problemas nas reformas e repassando à direção.
Se a escola não está podendo receber os alunos devido a uma situação, eles precisam permanecer em casa. E isso não foi feito. Os alunos não compareceram às aulas porque eles se juntaram e resolveram não ir devido à situação da escola
cita uma das mães.
O movimento de pais e alunos gerou uma petição pública online pedindo a garantia de “condições mínimas de higiene”. O documento online exige esclarecimento formal sobre a falta de água, as medidas utilizadas para regularização e a adoção de medidas emergenciais para bem-estar dos alunos.
Por fim, destacamos que a manutenção dessa situação poderá ensejar a adoção de outras medidas cabíveis junto aos órgãos competentes, visando a preservação da saúde e dos direitos dos alunos e frequentadores
finaliza a petição.
Especialista aponta riscos da situação
Membro do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Fausto Flor Carvalho alerta que o ambiente sem água pode ser um vetor de doenças entre funcionários e alunos.
O ideal é que essas crianças não estivessem no ambiente escolar uma vez que, com pouca água, mesmo que com o fornecimento intermitente, muitas vezes a criança pode usar o banheiro e não conseguir lavar a mão. Isso corre o risco de transmissão de doenças
sinaliza o médico.
Ele também direciona o alerta para o preparo e manuseio de alimentos por parte dos funcionários da escola que, sem água, podem carecer da correta higienização.
Isso pode causar intoxicação alimentar, diarreias, doenças muito facilmente transmitidas no ambiente escolar. É bastante preocupante o cenário dessa escola
complementa.
O especialista finaliza com a preocupação sobre os alunos não conseguirem fazer as necessidades fisiológicas durante o dia letivo na escola. “Ficar segurando a ida ao banheiro pode facilitar a infecção urinária e do incômodo abdominal”, ressalta.
Resposta do SESI-SP
A Banda B pediu o posicionamento da direção acerca dos motivos da falta de água, as medidas tomadas para sanar o problema, o atendimento à higiene básica na unidade, a possibilidade de reposição de aulas aos alunos faltantes e se os problemas de infraestrutura podem estar relacionados à fusão das unidades.
A resposta não abordou a questão da reposição das aulas e os problemas de infraestrutura, reforçando que “a escola se preparou para manter o funcionamento adequado de suas atividades”. Confira o comunicado na íntegra.
“A escola Sesi AE Carvalho esclarece que, em contato permanente com os familiares, por meio de comunicados oficiais, vem informando a respeito do conserto de um vazamento, que ocorreu nos dias 9 e 10/04 (quinta e sexta-feira), o qual a manutenção foi imediata para a identificação e solução do problema. Ainda na última sexta-feira, o abastecimento foi restabelecido.
Durante estes dias, a escola se preparou para manter o funcionamento adequado de suas atividades. Para tanto, foram disponibilizados galões de água potável, devidamente higienizados, em todas as dependências da escola. Além disso, os banheiros permaneceram disponíveis, com a limpeza intensificada pela equipe de conservação, por meio do abastecimento de água diretamente da rua.
O Sesi-SP, com foco na melhoria contínua de seus serviços, prioriza sempre a saúde, bem-estar e segurança de todos e mantém canal aberto com as famílias, que é fundamental para toda comunidade escolar.“
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