Depois de quase seis meses fechadas, parte das escolas particulares de Sorocaba voltou a funcionar nesta terça (8).

De máscara e frasco de álcool em gel na mochila escolar, as crianças voltaram aos colégios e conheceram um novo ambiente. Antes de entrar, todos tinham a temperatura medida e só alunos e funcionários são permitidos dentro da escola.

O governador João Doria liberou a reabertura das escolas para atividades de reforço e acolhimento a partir desta terça em cidades que estivessem há mais de 28 dias na fase amarela. Elas só podem funcionar com até 35% dos alunos.

Escolas particulares do interior estavam divididas entre voltar ou não ao modelo presencial – Gabriel Cabral/Folhapress

A maioria das cidades paulistas, no entanto, optou por não retomar as aulas presenciais nessa data. Além de Sorocaba, outras quatro cidades liberaram a reabertura das escolas, mas apenas para a rede particular.

“Foi pela vontade dela de ver os amigos que eu decidi que ela voltaria para a escola nesse primeiro momento. Além de que ela já não estava mais isolada em casa, sempre brincava com os vizinhos”, disse a delegada Ana Paula Saribe, 39, mãe de uma aluna de 5 anos.

Pelo convívio com outras crianças durante a pandemia, Saribe disse acreditar que a menina já está bem adaptada ao uso de máscara e manter o distanciamento dos colegas.

Como teve de trabalhar presencialmente durante todo o período de suspensão das aulas, Saribe também disse que a reabertura da escola permite que a filha receba um acompanhamento mais adequado. “Minha motorista foi quem virou a professora dela, era quem acompanhava as aulas virtuais com ela.”

A médica Ana Carolina Swensson, 43, também não parou de trabalhar presencialmente, por isso, optou por fazer parte do primeiro grupo de pais a enviar os filhos para a escola. “Meu marido também é médico e a gente se revezava no cuidado das meninas, mas elas estavam sentindo muita falta do ambiente escolar”.

Mãe de dois alunos de 4 e 6 anos de idade, Swensson disse que a retomada é importante para as crianças nesse momento. “Qual recado estamos passando aos nossos filhos ao dizer que podemos ir ao shopping e restaurantes, mas não para a escola?”

Para a volta às aulas presenciais, o colégio Uirapuru consultou os pais para saber quantos tinham interesse em enviar os filhos. Dos cerca de 1.900 alunos, um terço optou pelo retorno. Nesta terça, só voltaram as crianças da educação infantil (dos 0 aos 5 anos) e dos anos iniciais do ensino fundamental (do 1o ao 5o ano).

“A volta é opcional para os alunos, mas não para os professores e funcionários. A não ser, claro, aqueles que são do grupo de risco e que vão permanecer em casa”, disse Arthur Fonseca, diretor do colégio.

Depois de terem a temperatura medida, as crianças entram na escola, mas precisam tirar os sapatos para ficar em sala de aula. O colégio pediu para que os pais enviassem chinelos ou meias extras.

O colégio também orientou aos pais para que enviassem os filhos com máscaras brancas, sem desenhos. A medida é para evitar que as crianças queiram trocar o equipamento com os colegas.

Além da máscara branca, as crianças também tiveram de levar outras duas unidades, uma branca e outra cinza. Para que fossem trocadas a cada duas horas.

“Eles explicaram que as cores diferentes são para que os professores possam controlar se houve mesmo a troca”, contou Lúcia Nakano, 47, mãe de uma aluna de 10 anos.

Nas salas de aulas, todas as janelas e portas devem ficar abertas durante todo o tempo, as carteiras também foram organizadas para que as crianças fiquem a 1,5 metros de distância uma das outras.