ISABELA PALHARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mesmo com a permissão de atividades remotas para a educação básica até o fim de 2021, escolas particulares de São Paulo avaliam que a continuidade das atividades letivas online só deve ocorrer pontualmente no próximo ano. No entanto, afirmam que o cenário ainda é incerto e depende do controle da pandemia.

Na semana passada, o CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou resolução que estendeu a permissão de atividades remotas para o ensino básico e superior, público e particular, até o fim do próximo ano. A definição da carga horária a distância, no entanto, terá que ser feita por cada rede de ensino ou instituição.

“A permissão nos traz tranquilidade para saber que podemos usar o formato online, que funcionou neste ano. Mas o nosso planejamento e expectativa é de que não seja necessário, queremos voltar ao presencial com o máximo de alunos possível”, diz Daniel Bresser, diretor do colégio Móbile, na zona oeste de São Paulo.

Alunos voltam às aulas na escola estadual Thomaz Rodrigues Alckmin, no Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

Para os colégios, a autorização traz segurança jurídica para os pais que optarem por não enviar os filhos para as aulas presenciais. O planejamento atual das unidades é que, nestes casos, se mantenha uma combinação de modalidades, com o ensino remoto para quem não puder ou optar por não ir à escola.

“Não havendo a possibilidade de frequência presencial, seja por uma questão familiar ou pelas condições sanitárias na cidade, é importante que o ensino remoto esteja liberado. Ele funciona, mas a nossa defesa é pelo ensino presencial”, diz Bresser.

Mauro Aguiar, diretor do colégio Bandeirantes, na zona sul da capital, também avalia que a resolução é importante já que o cenário para o próximo ano ainda é incerto em relação à contenção da pandemia. Para ele, a medida permite que as escolas continuem se organizando com parte das atividades a distância para contemplar estudantes e professores do grupo de risco, que ainda não poderão frequentar as unidades.

“Como muito provavelmente ainda não haverá uma vacina até o início do próximo ano letivo, precisamos de um planejamento que contemple aqueles que não possam ou não queiram frequentar as atividades presenciais. A resolução nos assegura dessa possibilidade”.

Para Arthur Fonseca, diretor do colégio Uirapuru e ex-integrante dos conselhos nacional e estadual de São Paulo de educação, é importante que a rede de ensino paulista regulamente em quais casos e situações o ensino remoto pode ser utilizado no próximo ano para evitar prejuízos aos estudantes.

“É importante que haja regulação para evitar exageros dos dois lados: escolas que abusem do recurso remoto ou famílias que enviem os filhos para a aula quando quiserem. É preciso definir bem quais situações impossibilitam as atividades presenciais.”

Em seu colégio, em Sorocaba, Fonseca também pretende continuar com o formato remoto e presencial no início do ano letivo. “O ensino remoto garante a transmissão de conteúdo, mas a atividade presencial vai muito além disso. O projeto educacional de uma escola só é garantido com a presença diária dos alunos. Eu entendo que devemos continuar caminhando para o presencial“, diz.