Engenheiros presos deixam a sede do DHPP, em São Paulo, e seguem para Minas Gerais Foto: Werther Santana/Estadão

A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, os Ministérios Públicos Estaduais de Minas Gerais e São Paulo e as Polícias Civil e Militar de Minas cumpriram na manhã desta terça-feira, 29, cinco mandados de prisão e outros de busca e apreensão contra engenheiros e funcionários que atestaram a segurança da Barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais.

A ação tem como objetivo apurar a responsabilidade criminal pelo rompimento da barragem do córrego do Feijão, na última sexta-feira, 25.

A Justiça decretou a prisão temporária por 30 dias de responsáveis por atestar a segurança da barragem da Vale por suspeita de homicídio qualificado, crime ambiental e falsidade ideológica.

Em sua decisão pela prisão temporária, obtida pelo Estado, a juíza Perla Saliba Brito alega que eles poderiam atrapalhar as investigações. “Trata-se de apuração complexa de delitos, alguns perpetrados na clandestinidade”, escreveu.

Ela destaca ainda que “há fundadas razões de autoria pelos representados e mostra-se imprescindível a segregação dos mesmos para as investigações que visam apurar a prática, em tese, de crimes de homicídio qualificado, além de crimes ambientais e de falsidade ideológica”.

Os engenheiros civis Makoto Namba e André Jum Yassuda, ambos da empresa alemã TÜV SUD, foram presos nos bairros de Moema e Vila Mariana, na zona sul da capital. Eles deixaram a sede da Polícia Civil de São Paulo, no centro, por volta das 9h30, e foram levados para o Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. De lá, seguem para Minas.

Belo Horizonte

Na região metropolitana de Belo Horizonte, foram detidos César Augusto Paulino Grandchamp, Ricardo de Oliveira e Rodrigo Arthur Gomes de Melo, funcionários da Vale que estariam envolvidos diretamente no licenciamento da barragem.

Oliveira era gerente de meio ambiente, saúde e segurança do complexo da mina e Rodrigo Arthur Gomes, gerente executivo operacional responsável pelo complexo de Paraopeba.

O laudo de estabilidade foi emitido em setembro do ano passado, atestando dano potencial “alto” da barragem 1, que rompeu em Brumadinho. Ele foi assinado por Grandchamp e Namba.

Na decisão da juíza, ela destaca que documentos apresentados apontam que Oliveira e Melo “são responsáveis pelo licenciamento e funcionamento das estruturas, incumbindo-lhes o monitoramento das barragens que se romperam, ocupando funções de gestão e condução do empreendimento, sendo o acautelamento dos mesmos, também, imprescindível para a elucidação dos fatos”.