Um diretor do Presídio Masculino de Lages foi preso preventivamente nesta quinta-feira (26) sob suspeita de trocar benefícios irregulares por carnes nobres e manter relação com a companheira de um detento. A decisão é da Justiça de Santa Catarina.

Segundo a investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o policial penal teria concedido vantagens administrativas a um detento entre março e outubro de 2025. Em contrapartida, recebia “vantagens materiais e pessoais”, incluindo cortes de carne como picanha, filé mignon e contrafilé. As informações são do portal ND Mais.

Foto divulgada pelo Ministério Público de Santa Catarina mostra peça de picanha dentro de cesto apreendido; há outra sacola ao lado, com conteúdo desconhecido
Operação investiga crimes envolvendo corrupção, violação do sigilo funcional e advocacia administrativa – Foto: Divulgação/MPSC

As apurações apontam que o então diretor passou a intervir, de forma “reiterada e informal”, em procedimentos ligados à execução penal do preso, com quem mantinha vínculo indireto por meio da companheira dele. Para os investigadores, havia uma relação estável de reciprocidade, com uso da função pública para atender interesses privados.

Diretor de presídio investigado por vários crimes

O diretor foi preso durante a Operação Carne Fraca, que apura possíveis crimes envolvendo corrupção, violação do sigilo funcional e advocacia administrativa no âmbito da unidade prisional. As investigações apontam que os crimes aconteceram entre março e outubro do ano passado.

A investigação tramita em sigilo. A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). 

Policial afastado

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informou que acompanhou a operação e que o policial penal citado na investigação foi imediatamente afastado de suas funções, conforme decisão judicial.

A Sejuri reforçou que não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus servidores e que atua de forma permanente para garantir a legalidade, a transparência e a integridade no âmbito do sistema prisional catarinense.

Paralelamente, a Secretaria está instaurando uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA) no Presídio Masculino de Lages, com o objetivo de investigar demais áreas da administração da unidade e assegurar o fiel cumprimento das normas e protocolos institucionais.