Começou nesta segunda-feira, 11, o julgamento dos acusados pela morte do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos. A sessão começou às 9h30 no Fórum da cidade de Três Passos, no norte do Rio Grande do Sul, O julgamento é conduzido pela juíza Sucilene Engler.

O menino foi assassinado em abril de 2014 e o corpo foi encontrado 10 dias depois, enterrado e envolto em um saco plástico. O pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugulini, foram presos pelo crime, assim como Edelvânia e Evandro Wirganovicz. O grupo responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Além disso, Leandro Boldrini responderá pelo crime de falsidade ideológica.

ctv-mwy-bernardo-boldrini-avo-arquivo-pessoalBernardo Boldrini com a avó materna, Jussara Uglione. Foto: ARQUIVO PESSOAL

A primeira etapa da sessão foi a escolha dos jurados e, logo depois, a delegada responsável pelo caso, Caroline Bamberg Machado, começou a depor. O depoimento durou cerca de quatro horas e meia e Caroline respondeu a todas as questões feitas pela juíza, promotores e advogados.

A policial explicou que a hipótese de assassinato ganhou força com os depoimentos sobre abandono e descaso do pai e da madrasta em relação a Bernardo. Durante a declaração, a delegada afirmou que considera a confissão de Edelvânia uma prova que, associada a outras, ajudaram na sua convicção do crime e ressaltou que “em nenhum momento Edelvânia foi coagida”, disse.

A delegada Cristiane de Moura, de 44 anos, também prestou depoimento por quatro horas e deu detalhes da investigação, respondendo questionamentos da defesa e do Ministério Público. “Bernardo sofria descaso em grau máximo”, atestou a delegada, contando como desvendou a morte do menino. Edelvânia chorou em alguns momentos; já Graciele, a madrasta, chegou a sorrir, tomou café, conversou com advogado e seguranças. Já o médico e pai de Bernardo, Leandro, permaneceu a maior parte do tempo com os olhos fixos no chão.

A delegada revela que depoimentos colhidos na escola de Bernardo a levaram a acreditar que a família havia cometido o crime. Edelvânia em seus depoimentos se contradisse e acabou revelando onde o corpo estava. Caroline revelou que contou a Leandro sobre o corpo encontrado e que o médico apenas respondeu que “queria provas de que estava metido nisso”. “A gente falou que o corpo foi encontrado com soda, ele não esboçou reação nenhuma. Só estava preocupado com ele”, afirmou a delegada.

Durante as investigações, a delegada também descobriu que Graciele já havia falado a outras pessoas sobre a ideia de “se livrar de Bernardo”. Alguns detalhes fizeram Caroline ter certeza de que o médico sabia e participou do plano para matar o filho, entre eles o fato de ter comentado entre colegas de trabalho que Graciele iria comprar uma TV para Bernardo em Frederico Westphalen, numa tentativa de criar antecipadamente um álibi. “Ele (Boldrini) sabia que o Bernardo estava morto”, concluiu.