Ainda estava escuro quando Rosemberg Alves da Silva acordou. O sol só vem depois*. Ele vestiu o macacão alaranjado, calçou botas de biqueira de aço, e saiu de casa com uma mochila nas costas. Desembarcou de ônibus no Largo do Carioca, centro do Rio de Janeiro – uma das tais necrópoles que não se tocam e então se chocam com o sonho de alguém. Às 6h, já havia pendurado no pescoço o banner de 1m x 1,2m, no qual mandou imprimir um resumo de anos de esforço: o seu currículo.

Desempregado desde julho, o carioca de 44 anos confeccionou o cartaz para chamar a atenção de possíveis empregadores. O macacão é o uniforme do trabalho dos sonhos: a roupa usada por funcionários de companhias na área do petróleo. Durante 15 anos, Rosemberg vestiu um macacão como este, quando trabalhou na Shell Brasil.

 

 

Silva tem competência técnica na área, como operador e mantenedor, em eletromecânica, eletrotécnica e eletrônica. Também é treinado em segurança do trabalho e é tecnólogo em telecomunicações. Agora, o que mais deseja é trabalhar em offshores (empresas com estruturas localizadas em alto-mar).

Rosemberg Silva perdeu o emprego em 2017, como reflexo da crise financeira vivida pelo país, em especial no setor do petróleo, afetado pelo escândalo político da Operação Lava Jato, que investigou contratos da Petrobrás. Ele passou mais de um ano desempregado e, então, conseguiu uma contratação como atendente de check-in na companhia aérea Latam.

Completaria um ano e meio na empresa – ele conta ter sido o funcionário que mais recebeu elogios no período –, quando veio a pandemia. Rosemberg foi demitido, junto a centenas de colegas. “Eu entendo o lado da companhia, era mais barato demitir quem tinha pouco tempo de casa. Era isso ou a empresa quebrava”, observa.

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