A cidade de São Paulo ultrapassou a marca de 50 mil casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus. Boletim publicado pela Prefeitura no fim da noite de terça-feira (26) mostra que 51.852 pessoas tiveram a doença na capital paulista.

A título de comparação, é como se toda a população de Rio Grande da Serra (ABC Paulista) –50.846 moradores, segundo o IBGE– tivesse contraído o vírus.

Outros 174.422 casos estão sendo investigados na cidade de São Paulo, de acordo com o boletim da Secretaria Municipal da Saúde, da gestão Bruno Covas (PSDB).

O total de mortes provocadas pelas consequências da Covid-19 chegou a 3.421 na capital. Há outros 3.717 óbitos sendo investigados, o que dá um total de 7.138 mortes.

Sozinha, a cidade de São Paulo já contabiliza mais casos confirmados da doença que a soma de outros seis países da América do Sul: Colômbia (23.003), Argentina (13.228), Bolívia (7.136), Venezuela (1.211), Paraguai (877) e Uruguai (789). Os dados são da universidade norte-americana Johns Hopkins.

O número de casos da capital também é maior do que os 45.970 registrados na Holanda ou os 37 355 do Equador, onde foram vistas cenas de corpos nas ruas, decorrente do colapso do sistema de saúde, principalmente na cidade de Guayaquil.

A cidade de São Paulo tem 4.232,12 casos por milhão de habitantes. Já o Equador, contabiliza 2.133,27 por milhão de habitantes.

Para o infectologista Marcelo Otsuka, da Sociedade Brasileira de Infectologia, os números elevados são resultados da baixa adesão da população paulistana às medidas de distanciamento social.

O mínimo estabelecido pela prefeitura para que a saúde pública não entre em colapso é de 55%, enquanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) fala em um índice acima de 70%.

 

Foto: Agência Brasil

 

Porém, neste mês, a cidade só passou a marca mínima duas vezes, em 3 de maio (58%) e no último domingo (24), com 57%, segundo o governo do estado, gestão João Doria (PSDB). Nos dois casos tratavam-se de emendas de feriados.

Nesta quarta (27), Doria e Covas anunciaram que a cidade vai flexibilizar a abertura do comércio de forma gradual.

Até a última terça, 85% dos leitos municipais de UTI (Unidades de Terapia Intensiva) da rede municipal estavam ocupados, mas o percentual vem caindo, pois na semana passada chegou ao recorde 92% durante a pandemia do novo coronavírus.

Ao todo, 1.920 pessoas estavam internadas na terça em hospitais municipais, sendo que 587 em leitos de UTI e 424 pacientes com ventilação mecânica.

Covas disse nesta quarta que a taxa média de casos vem caindo semanalmente no município. Segundo balanço divulgado pelo prefeito, em 17 de março, quando ocorreu a primeira morte na cidade (e no país), a taxa de crescimento era de 17,3%. Atualmente está em 3,1%.

O documento da prefeitura também aponta que há estabilização no número de mortes nas últimas quatro semanas.
Otsuka, porém, alerta que a capital ainda parece estar longe do pico de infecções pelo novo coronavírus –ou seja, o momento em que o número de novos casos se estabiliza e para de subir. Para ele, o pico em São Paulo deverá demorar mais duas semanas, aproximadamente. “Ficar em casa é a melhor maneira de se impedir a transmissão”, afirma.

Outro alerta feito pelo infectologista diz respeito ao baixo número de testes feitos para diagnosticar a doença. Segundo ele, essa situação pode gerar uma subnotificação dos casos. Ou seja: o número de doentes e mortes pelo novo coronavírus pode ser ainda maior do que o que vem sendo contabilizado oficialmente.

Procurada para falar sobre os números, a Prefeitura de São Paulo não respondeu até a conclusão desta reportagem.