Uma família preparou o velório para o familiar morto por infarto, mas recebeu do hospital o corpo de um homem morto pelo novo coronavírus, em Piracaia, interior de São Paulo. Até perceber a troca dos caixões, os familiares e amigos do outro morto se expuseram ao risco de contrair o vírus. Para complicar, eles tiveram o parente falecido sepultado às pressas, em caixão lacrado, sem velório e despedida. A família precisou pedir a exumação do corpo, enterrado em sepultura que não era a dele.

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O caso aconteceu no dia 16 de abril, quando os dois homens morreram, mas só veio a público esta semana, depois que saiu o resultado positivo do exame feito em um dos corpos. Os óbitos aconteceram na Santa Casa de Piracaia, onde estavam internados os dois pacientes. Uma das vítimas, Antônio Domingo Martins, de 67 anos, morreu com quadro de doença respiratória grave, com suspeita de infecção pela covid-19. Conforme o protocolo, ele seria enterrado sem velório, em caixão lacrado.

O outro paciente, José Frederico Alvares de Lima, de 68 anos, teve o óbito registrado como infarto e deveria ser levado para o salão de velórios escolhido pela família. Com a troca, os destinos dos dois corpos se inverteram. A falha foi percebida quando o caixão onde deveria estar José Frederico foi aberto na presença da família para o velório. A filha, Anna Gabriela de Lima Porta, percebeu que aquele não era o corpo do pai e alertou a madrasta, esposa do falecido.

A família entrou em contato com a funerária que se eximiu de culpa pela troca, alegando que recebeu os corpos com a identificação trocada pela Santa Casa, que é subvencionada pela prefeitura. Os familiares de Lima conseguiram a exumação do corpo, finalmente enterrado na sepultura escolhida pela família. Eles cederam material para exames e foram colocados em quarentena. Até esta quinta-feira, 30, nenhum deles apresentava sintomas da covid-19. A família de Marins também cumpre quarentena.

O caso chegou à Câmara dos Vereadores, que pediu explicações urgentes à prefeitura. Em nota, a prefeitura informou ter determinado à diretoria da Santa Casa – Irmandade São Vicente de Paula a instauração de uma sindicância interna “para apurar os responsáveis pelo episódio, uma vez que não se sabe, até o presente momento, se a troca foi feita por funcionários da irmandade ou por agentes funerários”.

Conforme a nota, a Santa Casa identificou a equipe de enfermeiros responsáveis pelos pacientes e também todas as pessoas que tiveram com o paciente portador do vírus. “Não há razões para pânico, uma vez que todos os envolvidos já se submeteram ao exame do Covid-19, sendo que um deles já acusou negativo”, disse a prefeitura. A Santa Casa informou que a sindicância encontra-se em andamento e só vai se pronunciar após a conclusão. Piracaia tem dez casos suspeitos, dois confirmados e um óbito pela covid-19.