Juliana Trentini (Foto: Arquivo Pessoal)

A comunicação não é restrita à fala, por isso mesmo os bebês têm capacidade de se comunicar, seja por risadas, olhares, gestos ou sons da voz. A partir do primeiro ano, já é comum que as crianças pronunciem as primeiras palavras, que geralmente são tentativas de “mamãe” ou “papai”.

A partir dos dois anos, normalmente a criança forma as primeiras frases. Aos três, orações mais completas e facilmente compreendidas por pessoas que não convivam com a criança, de acordo com a fonoaudióloga Juliana Trentini, autora do livro “Do gugu-dadá ao mamãe, me dá”.

Aos cinco, a fala já deve fluir sem dificuldade, porque nesta idade o padrão de linguagem é semelhante ao de um adulto. O marco científico para identificar um retardo na aquisição da linguagem é aos dois anos e seis meses, segundo especialistas.

Trentini lembra que nem todas as crianças têm o mesmo ritmo de desenvolvimento, mas, se houver qualquer desconfiança de dificuldade na aquisição de linguagem, é recomendável buscar ajuda de especialistas. Uma intervenção considerada precoce, feita antes dos três anos, com terapia fonoaudiológica e acompanhamento médico, pode oferecer resultados mais rápidos.

Em que a idade a criança começa a falar?

“Existe a crença de que tudo bem se a criança não falar antes dos três anos, de que vale a pena esperar, mas a linguagem é um indicador importante do desenvolvimento neurológico. Se a criança tem dificuldade, talvez não consiga atingir seu potencial e pode ser um tempo precioso de intervenção que não está sendo aproveitado”, diz a fonoaudióloga Juliana Trentini.

Até os quatro anos, a criança tem uma “janela de linguagem intensa.” “Mas ela é muito intensa entre 0 e 18 meses, é quando os neurônios crescem e formam conexões, por isso, a reação é melhor, os neurônios estão mais desocupados. A partir dos quatro anos, a resposta será mais lenta”, explica o neuropediatra Antônio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.

O médico lembra que a comunicação não-verbal das crianças também deve ser notada. “Mesmo sem falar, é preciso avaliar se a criança se comunica. Ele aponta o dedo, faz mímica, há expressão de emoção? O conceito de linguagem é amplo, a gente se comunica de várias formas com gestos e emoção.”

Casos de atraso de desenvolvimento da fala exigem uma atuação conjunta entre médicos e fonoaudiólogos. Antes de iniciar uma intervenção, é preciso descartar problemas genéticos, psiquiátricos e auditivos por meio de exames clínicos.

Para ler a matéria completa na BBC Brasil clique aqui.