A militante Sara Winter, principal porta-voz do controverso grupo autodenominado “300 do Brasil”, reconheceu em entrevista à BBC News Brasil a existência de armas dentro do acampamento montado pelo grupo em Brasília.

(Foto: Instagram)

 

De acordo com Winter, cujo nome verdadeiro é Sara Geromini, as armas serviriam para “proteção dos próprios membros do acampamento”.

“Em nosso grupo, existem membros que são CACs (sigla para Colecionador, Atirador e Caçador), outros que possuem armas devidamente registradas nos órgãos competentes. Essas armas servem para a proteção dos próprios membros do acampamento e nada têm a ver com nossa militância”, afirmou.

É a primeira vez em que a porta-voz do acampamento admite a existência de armamento entre os membros do grupo radical, que vem despertando preocupação por supostas atividades paramilitares – o que a ativista nega.

Os “300 do Brasil” são alvo de investigação pela Procuradoria-Geral da República. Na semana passada, deputados do PSOL pediram a abertura de um inquérito para apurar a atuação de Sara Winter em suposta “formação de milícia”.

O STF autorizou a abertura do procedimento para apurar quem seriam os financiadores dos movimentos.

À BBC News Brasil, a autoproclamada conferencista internacional diz que defende “métodos de ação não-violenta” e alega que “absolutamente nenhum dos integrantes dos 300 do Brasil fala sobre ‘milícia armada’, muito menos sobre invadir o Congresso ou STF”.

Em pelo menos uma carreata organizada pelo grupo, no entanto, tais iniciativas foram defendidas por participantes.

‘Dar a vida pela nação’

Sara Winter foi candidata a deputada federal pelo DEM do Rio de Janeiro nas últimas eleições. Com 17.246 votos, não conseguiu ser eleita.

Desde então, ela aposta na radicalização em seus canais pelas redes sociais, onde diz andar escoltada por seguranças armados, defende que membros do STF “sejam removidos pela lei ou pelas mãos do povo” e apoia o “extermínio da esquerda”.

Entre abril e outubro do ano passado, atuou como coordenadora-geral de Atenção Integral à Gestante e à Maternidade do Ministério da Família, Mulheres, e Direitos Humanos, por indicação da ministra Damares Alves, com quem compartilha bandeiras contra o feminismo e o aborto.

No passado, no entanto, foi militante do grupo Femen e chegou a “castrar” um boneco que representava o então deputado federal Jair Bolsonaro.

Agora, seu foco está concentrado na convocação de militantes para que “o povo seja a classe soberana do país”.

“Em todos os nossos comunicados dizemos claramente utilizamos técnicas de ação não violenta e desobediência civil. O que tem a ver ação não violenta com armas? Engraçado como a alcunha de milícia paramilitar foi rapidamente nos atribuída, mas jamais passou perto dos militantes do MST, que carregam armas e facões.”

Sara Winter, no entanto, gosta de publicar fotos segurando armas e diz nas redes sociais que “atira muito bem”.

Agora, ela defende o grupo como “pais de família, senhoras e jovens unidos, treinados e organizados”.

“(Estamos) preparados para dar a vida pela nação, e nossas armas são a fé em Deus, a esperança neste governo e os métodos de ação não violenta”.

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