Após enfrentar uma noite de protestos, o governo do Paraguai recuou e resolveu flexibilizar nesta quinta-feira (30) a medida que determinou o fechamento total de lojas e serviços na região onde fica Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, para tentar conter a pandemia do novo coronavírus.

Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional/Divulgação

Apesar de autorizar a reabertura das lojas, a nova regra prevê limitações de horário de funcionamento do comércio e restrições à circulação de moradores após as 17h. Alguns serviços também permanecerão fechados, como restaurantes, academias e outras atividades de lazer.

O retorno à estaca zero da chamada quarentena inteligente havia sido anunciado na noite de quarta-feira (29), após aumento expressivo de infectados pelo novo coronavírus no departamento de Alto Paraná.

Mas a população reagiu ao comunicado feito após reunião convocada pelo presidente Mario Abdo Benítez, e atos violentos foram registrados em Ciudad del Este, na divisa com Foz do Iguaçu.

Sozinha, a cidade paraguaia, que contabiliza 13 mortes, responde por 80% das 1.488 infecções do novo coronavírus em Alto Paraná. Em todo o território nacional, o município concentra atualmente quase um terço dos casos ativos e um quarto das mortes por Covid-19.

Vídeos em redes sociais mostram manifestantes queimando pneus e vandalizando veículos e prédios. A polícia utilizou bombas de efeito moral para conter os atos. Cerca de 60 pessoas foram detidas.

“Não é hora de confronto, é hora de unir e encontrar o caminho certo para todos. É como jogar uma partida de futebol com a melhor versão do Brasil pendurada na trave”, afirmou o ministro da Saúde do país vizinho, Julio Mazzoleni, ao anunciar a flexibilização das medidas.

O ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, destacou que, apesar de o comércio continuar funcionando, as fronteiras com o Brasil permanecerão fechadas para a passagem de pessoas e veículos particulares, salvo para receber nacionais que queiram retornar ao país.

Também podem circular caminhões de transporte para abastecimento de mercadorias. “Será necessário fechar a fronteira com seriedade. A partir de agora, fechamento completo e firme, para barrar a entrada irregular de portadores do vírus e, além disso, evitar tensão social legítima”, afirmou.

Ele ressaltou que o comércio internacional nunca foi restrito. “O que queremos evitar é a passagem de portadores de contágio.”
Em todo o Paraguai, são 4.866 casos e 46 mortes causadas pela Covid-19. A situação na área de fronteira contrasta com o panorama das regiões de Assunção e no departamento Central do país, que já estão na fase três da quarentena inteligente -são quatro no total.

A previsão é de retorno total das atividades nessas localidades em 9 de agosto.