Dezenas de vídeos viralizaram nas redes sociais, ao longo das últimas semanas, mostrando o intenso trabalho de resgate e apoio a animais nas enchentes do Rio Grande do Sul. Na maioria, são cães e gatos domésticos, mas também foi possível encontrar aves, guaxinins e cavalos que precisaram de auxílio dos socorristas e voluntários que foram até a região. Uma dessas voluntárias é a bombeira civil de Curitiba, Michelle Oliveira, do Família Resgate. Segundo ela, o trabalho é difícil e bastante intenso.

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Foto: Jurgen Mayrhofer/Ascom SSPS

De início, o trabalho conta com dois bombeiros, dois socorristas e um veterinário. Assim são formadas as equipes que saem das bases com o objetivo de salvar pessoas e animais em necessidade. Também há casos de tutores que chegam nas bases pedindo por ajuda para reencontrar seus pets. Nestes casos, é permitida a participação.

As enchentes que atingem o Rio Grande do Sul afetaram mais de 2,3 milhões de pessoas – em dados divulgados pela Defesa Civil, e, junto com elas, cerca de 12 mil animais também tiveram suas vidas abaladas pelas águas.

Emoção

Em um resgates que participou, Michelle conta que a equipe chegou até uma igreja onde animais estariam ilhados pelas águas. No local, com o nível da água muito alto, os socorristas precisaram nadar até um acesso. Lá encontraram dois cachorros e sete gatos.

“Colocamos eles nas caixinhas e demos um jeito de nadar segurando as caixinhas em cima – da água – para levar até o barco”, explica Michelle.

Ela conta que a entrada principal da igreja estava bloqueada, por isso todo o processo aconteceu por uma entrada lateral menor, onde o barco não conseguia chegar. Os socorristas precisaram ir e voltar para resgatar todos os animais.

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Michelle Oliveira, bombeira civil – Foto: Arquivo pessoal

Diferentes portes

Outro desafio imposto pela tragédia são os animais de mais diferentes portes. Neste caso, um especial viralizou: o do cavalo Caramelo.

A bombeira civil cita que animais de pequeno porte são mais fáceis de resgatar, enquanto animais maiores precisam de uma estratégia mais elaborada e, também, mais pessoas para realizar o salvamento.

“A diferença do animal doméstico para o de porte grande, é que o doméstico sempre vai ser mais fácil. Nós chegamos, damos alimentação e água limpa. Esperamos a reação dele, para ver se está mais dócil ou agressivo, para saber como lidar. Então enrolamos em uma coberta, pegamos no colo e levamos pro barco”, relata Michelle.

Ela segue a explicação apontando que um animal de grande porte não é possível ser resgatado por uma pessoa apenas, sendo necessário a presença de veterinários e militares para realizar a ação.

“Chegando até esse animal, ele é sedado. Com a ajuda dos bombeiros e do exército, temos uma estratégia para colocar esse animal em segurança dentro do barco”, comenta.

Finalizado o resgate, os bichos são levados até a base, onde eles passam por triagem veterinária, recebem medicação – quando necessário – e ganham água e alimente. Somente então, são reintegrados aos donos.

Os animais em que não é possível identificar os tutores, são encaminhados a outros abrigos e fazendas para adoção.

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Curitibana que foi ao Rio Grande do Sul fala sobre os desafios de resgatar animais em meio a enchentes

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