Abacaxi, smoothies de vegetais ou café para perder peso. Chá verde, gengibre ou bagas de Goji para desintoxicar. Canela, cúrcuma ou semente de linhaça para controlar o diabetes.

SHUTTERSTOCK Legenda da foto, Suco de abacaxi serve para emagrecer?

 

A internet está cheia dessas teorias milagrosas. Na melhor das hipóteses, elas estão “erradas” e, na pior, escondem interesses comerciais.

Qual é a função da comida?

Os alimentos atuam como transportadores de nutrientes. O sistema digestivo é responsável por liberar esses nutrientes da matriz alimentar para que o intestino possa absorvê-los.

Uma vez em nossas células, os nutrientes participam de vários processos biológicos que permitem seu funcionamento adequado.

Para citar alguns deles, as vitaminas B, magnésio ou zinco auxiliam nas reações bioquímicas que ocorrem em nossas células.

As vitaminas C e E são antioxidantes, o que as protegem dos danos oxidativos. O ferro é essencial para a hemoglobina transportar oxigênio no sangue. E a lista é infinita.

Tome-se como exemplo a popular vitamina C.

Ela contribui para o funcionamento do sistema nervoso, do sistema imunológico e do metabolismo energético.

O que a vitamina C não faz, não importa o quão antioxidante seja, é prevenir o envelhecimento ou resfriados.

Relação direta entre comida e doença

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma alimentação não saudável é fator de risco fundamental para Doenças Não Transmissíveis (DCNT), responsável por 70% das mortes no mundo.

As quatro DNTs mais comuns são: doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias.

Em 2017, uma pesquisa concluiu que aumentar o consumo de vegetais, frutas, nozes e peixes reduz o risco de mortalidade.

Outra revisão em 2019 concluiu que o padrão alimentar da dieta mediterrânea pode ser recomendado para a prevenção do diabetes tipo 2 em longo prazo.

Aliás, a dieta mediterrânea também tem mostrado efeitos benéficos na prevenção de doenças cardiovasculares.

Mas não é só isso. A World Cancer Research Foundation (WCRF) assinalou em seu relatório de 2018 que há evidências significativas de que cereais integrais, alimentos que contêm fibras e produtos lácteos reduzem o risco de câncer colorretal.

De igual forma, relaciona a alta ingestão de verduras, legumes e frutas com menor risco de vários tipos de câncer que afetam o trato respiratório e a parte superior do sistema digestivo.

Em relação ao peso corporal, o WCRF diz que “comer alimentos com fibra dietética provavelmente protege contra o ganho de peso, o sobrepeso e a obesidade”.

Depois de revisar as evidências, a entidade chegou à mesma conclusão sobre os padrões dietéticos do “tipo mediterrâneo”.

Contudo, é muito tentador transformar os quatro parágrafos anteriores em afirmações como “a fruta prolonga a vida”, “a fibra previne o câncer” ou “a dieta mediterrânea previne o diabetes”.

Mas devemos estar cientes de que, se o fizermos, estaríamos dando a eles um olhar categórico que os estudos não embasam e que, portanto, estariam errados.

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