O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, 50, que defendeu o empresário André Aranha no processo em que foi acusado de estupro pela influenciadora Mariana Ferrer, afirma não se arrepender de seu comportamento da audiência.

Rosa Filho diz que a atuação dele se deu dentro dos limites legais e que as primeiras imagens divulgadas foram retiradas do contexto e, da forma como foram apresentadas, distorceram o que realmente aconteceu nas três horas que duraram os trabalhos.

“Tenho a convicção de ter atuado dentro dos limites éticos, legais e profissionais, considerando-se a exaltação de ânimos que costuma ocorrer em audiências como aquela.”

 

Foto: Reprodução

 

O criminalista disse que após a divulgação de parte da audiência, ele e sua família passaram a ser alvo de ataques de todos os tipos e que por isso está acionando os meios legais.

A entrevista com o advogado foi feita por escrito a pedido de Rosa Filho.

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PERGUNTA – Você costuma dizer que vai até o inferno com seus clientes, mas não entra nele. Você acha que dessa vez acabou entrando?

CLÁUDIO GASTÃO DA ROSA FILHO – Não e reitero a minha afirmação. Quando decido assumir uma causa, é porque acredito no meu cliente.

P – O que seria o inferno?

CF – Entrar no inferno seria exceder os limites legais e profissionais, o que eu não faço.

P – Qual era a ideia da defesa ao mostrar aquelas fotos de Mariana Ferrer na audiência?

CF – Assim como é importante a leitura na íntegra da sentença para compreender os seus fundamentos, é indispensável assistir a toda a audiência antes de se emitir opiniões definitivas. Os trechos que estão sendo amplamente divulgados distorcem todo o contexto das afirmações. Sou enfático em afirmar que as audiências foram tensas e os embates entre defesa e Mariana foram constantes e longos. A denunciante, por repetidas vezes, mencionou minha família e outras questões pessoais como tentativa de me intimidar ou desestabilizar. A tese utilizada de confronto não pormenoriza as questões, uma vez que algumas das imagens foram juntadas aos autos por advogadas da própria Mariana.

Importante destacar que as dinâmicas entre a acusação e a defesa, especialmente em casos mais complexos, abrangem aspectos relacionados a hábitos, perfis, relacionamentos e posturas das pessoas envolvidas. Por isso, fiz indagações a Mariana a respeito desses pontos. Isso fazia parte do que estava em discussão nos autos e é decorrência do direito à defesa e da busca da verdade. A minha indagação se referiu ao fato dela ter mudado completamento o perfil de suas postagens após o início da denúncia infundada contra o acusado.

Toda pessoa tem o direito de postar e tirar fotos da forma como quiser e não deve ser julgada por isso, e essa é uma das minhas premissas. O ponto-chave da indagação é a mudança brusca de comportamento da Mariana logo após início do caso para supostamente sustentar o estereótipo criado para a personagem que protagoniza o caso.

P – O que a Mariana fez para que agisse daquela forma?

CF – Em todas as indagações, seja do advogado de acusação, da promotoria e do juiz, Mariana furtava-se de responder e apenas dizia que queria respeito e justiça. Afirmava não se lembrar de nada, mas garantia que havia sido estuprada. Seu discurso era incoerente, pois por diversas vezes entrou em contradições.

P – Você disse em nota que “Mariana mencionou as minhas filhas menores e aspectos pessoais da minha vida”. O que ela disse exatamente que te ofendeu?

CF – Mariana fez referência às minhas filhas, que não vou novamente aqui expor, mas posso reiterar que as afirmações foram para denegrir a imagem das mesmas, que são menores de idade, bem como para desestabilizar a audiência que estava em curso, fugindo mais uma vez de responder o que lhe era perguntado.

P – Você acha que extrapolou os limites profissionais, éticos e legais?

CF – Não. As dinâmicas entre acusação e defesa muitas vezes seguem ritos acalorados. Tenho a convicção de ter atuado dentro dos limites éticos, legais e profissionais, considerando-se a exaltação de ânimos que costuma ocorrer em audiências como aquela.

P – Se arrepende de algo na condução desse caso?

CF – Não! Segui dentro dos limites éticos, legais e profissionais.

P – Agiria da mesma forma se a audiência fosse presencial?

CF – Sim.

P – Em um dado momento, você disse que não gostaria de ter uma filha como Mariana. Que tipo de filha acha que ela é?

CF – Aqui, mais uma vez, a questão acima é um vazamento seletivo, fora do contexto e que induz a análises equivocadas. Não há como justificar uma afirmação retirada de um momento de questionamentos dentro de uma audiência que buscava a verdade e desmontar uma denúncia fraudulenta e calcada pela mentira.

P – Qual seu grau de amizade com o promotor e com o juiz do caso?

CF – Meu relacionamento com juiz e promotor do caso é profissional, como o de todos os advogados, que interagem apenas em atividades no fórum. Não tenho nenhum tipo de relacionamento pessoal com nenhum dos dois.

P – Seus amigos afirmam que você não aceitava defender suspeitos de estupro. Por que aceitou defender o empresário André Aranha?

CF – Pela minha convicção, que foi corroborada nos autos e no resultado do processo, sobre a inocência do empresário.

P – Você disse que recebeu ameaças e que atacaram suas filhas. Pode contar o que está se passando com você e sua família neste momento?

CF – Recebemos diversas ameaças, inclusive atentando contra as minhas filhas e contra minha família. Contudo, todas as medidas cabíveis já estão sendo tomadas.

P – Quais pessoas estão dando apoio a você neste momento?

CF – Todas as pessoas que acreditam no papel da justiça e nos limites éticos, profissionais e morais de um cidadão.