Um filhote macho de elefante-marinho-do-sul mobilizou uma operação de monitoramento e pesquisa no litoral do Paraná e passou a integrar um importante estudo sobre a espécie no Atlântico Sul. O animal foi encontrado no dia 26 de dezembro de 2025, em Matinhos, e resgatado por equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), dando início a um trabalho que envolve reabilitação, tecnologia e cooperação internacional.

Filhote macho de elefante-marinho-do-sul
Antes da soltura, o animal recebeu um transmissor satelital. (Foto: Divulgação/ LEC-UFPR)

A ação foi conduzida pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), dentro do programa executado na região. Em campo, a equipe multidisciplinar identificou que o filhote apresentava alterações respiratórias. Ele foi encaminhado ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD-UFPR), onde recebeu tratamento clínico e acompanhamento veterinário até a recuperação.

Elefante-marinho monitorado por satélite

Após a alta médica, o filhote foi devolvido ao mar em 21 de janeiro de 2026, nas proximidades do Parque Nacional das Ilhas dos Currais, também no litoral. Antes da soltura, porém, recebeu um aliado fundamental: um transmissor satelital.

O equipamento, com cerca de 140 gramas, é leve e seguro. Ele permite acompanhar em tempo real o deslocamento do animal, a profundidade dos mergulhos, padrões de nado e possíveis áreas de alimentação. A aplicação do dispositivo foi realizada por pesquisadores da Univali, instituição responsável técnica pelo PMP-BS nos estados do Paraná e Santa Catarina, em parceria com a equipe do LEC-UFPR.

A tecnologia é considerada estratégica para entender os primeiros movimentos de um filhote da espécie — fase ainda pouco documentada pela ciência — e avaliar como ocorre a readaptação ao ambiente natural após a reabilitação.

Mais de 1.200 quilômetros em menos de duas semanas

Os resultados já impressionam. Em apenas 13 dias, o filhote percorreu mais de 1.200 quilômetros. Ele foi avistado descansando em La Coronilla, no Uruguai, onde passou a ser acompanhado também por equipes da ONG Karumbé, referência no atendimento à fauna marinha na costa uruguaia.

O monitoramento por satélite indica que o animal seguiu viagem e atualmente está na Argentina, a menos de oito quilômetros da Península Valdés — uma das principais áreas de ocorrência e reprodução dos elefantes-marinhos-do-sul. As informações são da Ric RECORD.

As equipes reforçam que, ao encontrar animais marinhos descansando na praia, a população deve manter distância, evitar qualquer tipo de contato, afastar cães e acionar imediatamente os órgãos responsáveis pelo monitoramento. O respeito ao espaço desses animais é essencial para reduzir o estresse, garantir a segurança e assegurar o sucesso das ações de conservação.

Confira as informações completas sobre o monitoramento