Ao fim do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Estado da União no Congresso dos Estados Unidos, a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, rasgou o que seria uma cópia do  pronunciamento do dirigente republicano.

Pelosi rasga o discurso – Reprodução Twitter

Esta cena foi o desfecho de um clima nada amistoso que começou assim que Trump chegou ao púlpito da Câmara, quando ele quebrou o protocolo ao cumprimentar apenas o vice-presidente do país, Mike Pence, e ignorou a democrata, que havia lhe estendido a mão.

Responsável pela abertura do processo de impeachment de Trump, Pelosi ficou sentada atrás do chefe de Estado durante todo o tradicional pronunciamento anual, ao qual acompanhou franzindo a testa e rindo de forma incrédula durante vários trechos. Imediatamente ao fim da fala do republicano, enquanto ele era aplaudido, Pelosi se levantou e rasgou diante de todos o que seria uma cópia do discurso.

Ao ser perguntada por um repórter sobre a razão do gesto, Pelosi respondeu: “Porque era a coisa mais cordial a se fazer, considerando as alternativas”.

Logo depois, a Pelosi postou no Twitter uma foto do momento em que foi ignorada por Trump enquanto estendia a mão para cumprimentá-lo.

“Os democratas nunca deixarão de estender a mão da amizade para fazer o trabalho #ForThePeople (“pelas  pessoas”). Vamos trabalhar para encontrar um campo comum onde for possível, mas permaneceremos firmes onde não for”, descreve o texto que acompanha a foto na publicação na rede social.

Trump não cumprimenta Pelosi – Foto: reprodução Twitter Nancy Pelosi

Discurso Trump

Trump declarou no discurso que os Estados Unidos estão “mais fortes do que nunca” em seu discurso sobre o Estado da União. Ele afirmou que obteve nesses três últimos anos o “grande retorno dos EUA”, assumindo o crédito pelo sucesso econômico do país de olho nas eleições de novembro, quando concorre à reeleição.

“Em apenas três anos, esmagamos a mentalidade de um declínio americano e rejeitamos a redução do destino da América. Estamos seguindo para um caminho que era inimaginável pouco tempo atrás e nunca vamos recuar”, afirmou Trump, entre aplausos dos republicanos e os gritos de “mais quatro anos”.

“Se não tivéssemos revertido as políticas econômicas falidas do governo anterior, o mundo agora não estaria vendo este grande êxito econômico”, disse o presidente, criticando o governo de seu antecessor, Barack Obama, e provocando vaias de alguns democratas.

O discurso perante ambas as Câmaras do Congresso foi feito após Trump tornar-se o terceiro presidente na história dos EUA a enfrentar um processo de impeachment. Apesar de o julgamento político ainda não ter sido concluído no Senado, controlado por seu Partido Republicano, e apesar da divisão no país, o presidente destacou que os EUA estão melhores agora do que quatro anos atrás. Ele usou a primeira parte de seu discurso para destacar o fortalecimento econômico dos EUA e a redução do desemprego. O crescimento econômico foi de 2,9% em 2019.

“Em oito anos do último governo, mais de 300 mil pessoas foram demitidas. Em apenas três anos do meu governo, 3,5 milhões de pessoas se juntaram à força de trabalho”, declarou o presidente. “Desde o instante que assumi o cargo, agi rapidamente para reviver a economia dos EUA – acabando com um número recorde de regulamentações que afetam os emprego, promulgando um histórico corte de taxas e lutando por acordos comerciais justos e recíprocos”, disse.

Trump também citou seus avanços para restringir a entrada de imigrantes ilegais e a ratificação, este mês, do tratado comercial T-MEC, renegociado com o México e o Canadá a partir do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN), em vigor desde 1994.

“Muitos políticos vieram e se foram, com a promessa de mudar ou substituir o TLCAN, mas no fim não fizeram absolutamente nada. Mas, ao contrário de muitos que vieram antes de mim, cumpro minhas promessas”, declarou Trump. “Prometi que imporia taxas à China para confrontar o roubo do trabalho americano. Nossa estratégia funcionou”, disse.

O presidente americano homenageou nesta terça o líder opositor venezuelano, Juan Guaidó, cujos esforços para tirar Nicolás Maduro do poder têm o respaldo dos EUA. “Conosco, nesta galeria, está o presidente legítimo da Venezuela, Juan Guaidó. Todos os americanos estão unidos com o povo venezuelano em sua luta justa pela liberdade”, afirmou, dirigindo-se ao líder opositor, que assistiu ao discurso no Capitólio como convidado de Trump. O presidente também manifestou seu apoio “às esperanças” de cubanos, nicaraguenses e venezuelanos de “restaurar a democracia” em seus países. (Com agências internacionais).