Toxinas produzidas por algas microscópicas na água causaram a morte, até então inexplicada, de centenas de elefantes em Botsuana, segundo fontes oficiais. Botsuana é o lar de um terço da população de elefantes da África.

(Foto: SUPPLIED)

O alarme foi disparado quando carcaças de elefantes foram localizadas no Delta do Okavango, entre maio e junho. As autoridades dizem que agora sabem que um total de 330 elefantes morreram por ingestão de cianobactérias. A caça foi descartada como causa de morte.

Cientistas alertam que a mudança climática pode estar tornando esses incidentes — conhecidos como florações tóxicas — mais comuns porque favorecem o aquecimento da água.

Alerta: imagens a seguir podem ser consideradas perturbadoras por algumas pessoas

A descoberta foi feita após meses de testes em laboratórios especializados na África do Sul, Canadá, Zimbábue e Estados Unidos.

Muitos dos elefantes mortos foram encontrados perto de bolsões d’água, mas até agora as autoridades ambientais duvidavam que a culpa fosse da bactéria porque as flores aparecem nas bordas dos lagos e os elefantes tendem a beber no meio.

“Nossos últimos testes detectaram que neurotoxinas de cianobacterianas são a causa das mortes. Essas bactérias são encontradas na água”, disse o veterinário-chefe do Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais, Mmadi Reuben, em entrevista coletiva à imprensa na segunda-feira (21/09).

As mortes “pararam no final de junho de 2020, coincidindo com a secagem dos bolsões (de água)”, disse ele à agência AFP.

Relatórios de junho observaram que as presas dos animais não foram retiradas, o que significa que a caça ilegal não era uma explicação provável.

O envenenamento por antraz também foi descartado, de acordo com Cyril Taolo, alto funcionário do departamento ambiental.

Mas ainda restam dúvidas sobre as mortes, disse Reuben a jornalistas.

“Ainda temos muitas perguntas a serem respondidas. Uma delas é por que apenas os elefantes e por que apenas naquela área. Temos uma série de hipóteses que estamos investigando.”

Centenas de carcaças foram localizadas com a ajuda sobrevoos feitos no início deste ano.

Niall McCann, da organização de caridade britânica National Park Rescue, disse anteriormente à BBC que os conservacionistas locais alertaram o governo no início de maio, depois de fazer imagens do delta.

“Eles localizaram 169 (animais mortos) em um voo de três horas”, disse. “Ser capaz de ver e contar tantos em um voo de três horas foi muito fora do comum.”

Vinte e cinco elefantes morreram recentemente em um grupo no vizinho Zimbábue. Amostras para testes foram enviadas ao Reino Unido para análise.

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