Pessoas que não seguem regras de distanciamento social ou não usam máscaras “têm sangue nas mãos”, criticou um médico intensivista no Reino Unido.

Em entrevista à BBC Radio 5 Live, Hugh Montgomery afirmou que os hospitais estão enfrentando um “tsunami” de casos da covid-19, e ele teme que a situação piore após a noite de Ano Novo.

Legenda da foto, Hugh Montgomery teme um novo pico de casos após o Ano Novo

 

Ele fez um apelo para as pessoas aceitarem que vai ser uma virada de ano “infeliz” — e não se reunirem em grupos.

Isso reforça a recomendação oficial e da Organização Mundial da Saúde, de ficar em casa e não dar festas.

Cerca de 44 milhões de pessoas na Inglaterra estão vivendo agora sob o nível mais severo de restrições, o chamado nível quatro, por conta da pandemia.

Mais 50.023 novos casos de covid-19 foram registrados no Reino Unido na quarta-feira, e 981 mortes (ocorridas em um prazo de 28 dias desde que o paciente testou positivo pela primeira vez) — mais do que o dobro do total do dia anterior.

No Brasil, pela primeira vez desde agosto, o número diário de mortes por covid-19 chegou ao patamar de 1,2 mil na última quarta-feira (30/12), e especialistas afirmam que o avanço do coronavírus está em alta em todas as partes do país, gerando uma sobrecarga nos serviços de saúde.

‘Raiva’

Montgomery, que trabalha em unidades de terapia intensiva (UTIs) no Whittington Hospital, em Londres, e lidera um grupo de pesquisa na University College London (UCL), acrescentou:

“Estamos com muitos problemas nos tratamentos intensivos no Reino Unido agora.”

“Há simplesmente um número enorme (de pacientes) dando entrada. Sou solidário também aos nossos serviços de emergência, que estão recebendo um tsunami de casos nas últimas semanas. Todos estão trabalhando no limite máximo.”

Ele disse ainda que é errado atribuir o aumento de casos e mortes à nova variante do coronavírus, que é, segundo ele, apenas “ligeiramente” mais transmissível e causa os mesmos sintomas.

“Na verdade, isso me deixou com muita raiva, porque as pessoas estão colocando a culpa no vírus – e não é o vírus, são as pessoas. As pessoas não estão lavando as mãos, não estão usando máscaras”, declarou.

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