A jovem curitibana Amanda Alves Moreira ficou cerca de duas semanas sem dar notícias à família, que agora foi comunicada sobre a prisão dela no Centro Penitenciário de Fleury-Mérogis, localizado a cerca de 30 quilômetros de Paris. Considerado o maior presídio da Europa, o complexo abriga milhares de pessoas em condições marcadas por superlotação, regras rígidas de contato com familiares e restrições financeiras para a comunicação.

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A jovem curitibana Amanda Alves Moreira, que foi dada como desaparecida no Brasil e presa na França no final de outubro — Foto: Reprodução/Instagram

Documento enviado pelo Setor de Assistência do Consulado-Geral do Brasil em Paris para a família de Amanda — e obtido pela Banda Baponta que a acompanhante de luxo deverá ser julgada em breve pelo crime cometido, embora ele ainda seja desconhecido. A jovem pediu para que a família não se preocupe e avisou que não poderia fazer ligações no momento.

Além de todo o processo burocrático para tentar estabelecer contato com a família, Amanda depende de autorização das autoridades francesas e da compra de créditos. Cada detento recebe cerca de 30 euros (cerca de R$ 184) por mês para despesas básicas, como produtos de higiene e telefonemas. Caso trabalhe na prisão, pode receber uma remuneração pelas horas de serviço, que também pode ser usada para chamadas.

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O Centro Penitenciário de Fleury-Mérogis, a cerca de 30 km de Paris – Foto: Divulgação/Force Ouvrière Justice

Enquanto não é autorizada a fazer ligações, a jovem curitibana pode receber cartas enviadas diretamente ao endereço da prisão. O Consulado-Geral, porém, não soube informar quando a jovem entrará em contato com a mãe nem com que frequência os telefonemas serão feitos. “De maneira geral, o primeiro contato pode levar várias semanas”, diz o comunicado.

Por outro lado, o documento do consulado também explica que os presos em Fleury-Mérogis têm acesso a advogados designados pelo Estado francês, conhecidos como advogados dativos, que acompanham todas as etapas do processo judicial.

Além disso, podem buscar orientação jurídica gratuita com profissionais voluntários que atuam no Point d’Accès au Droit — um serviço de apoio legal oferecido dentro do próprio presídio.

Amanda ainda poderá participar de cursos de francês, atividades esportivas e oficinas culturais, que fazem parte dos programas de reinserção social promovidos pela administração penitenciária.

Superlotação e rotina no presídio

Inaugurado em 1968, o Centro Penitenciário de Fleury-Mérogis tem capacidade para cerca de 2,8 mil pessoas, mas já chegou a abrigar mais de 4 mil, segundo dados recentes do governo francês. A prisão, que fica a cerca de 30 km da icônica Torre Eiffel, tem 170.000 m².

O local, administrado pelo Ministério da Justiça, possui quatro zonas, distribuídas entre alas para homens, mulheres e jovens menores de idade, além de unidades de triagem e isolamento. Também há uma área administrativa central para os funcionários da prisão.

Segundo o Observatório Internacional de Prisões (OIP), associação que luta pelos direitos humanos nas prisões da França, a ala feminina do presídio tem 167 celas, com 207 vagas disponíveis. Apesar disso, havia 245 mulheres presas nesta área, conforme o último levantamento da entidade.

No ano passado, um detento que saiu com um grupo de prisioneiros para uma visita ao Museu Quai Branly-Jacques Chirac fugiu durante o passeio mesmo sob supervisão de guardas prisionais. O jovem, de 24 anos, cumpria pena de dois anos por roubo qualificado. Em setembro de 2023, dois detentos do Centro Penitenciário de Fleury-Mérogis também fugiram – desta vez em um passeio na floresta de Fontainebleau. Eles foram encontrados algumas semanas mais tarde.

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Jovem foi presa no Centro Penitenciário de Fleury-Mérogis logo após desembarcar na França, segundo a família – Foto: Divulgação/Force Ouvrière Justice

A Banda B questionou ao Itamaraty se o caso da jovem curitibana está sendo acompanhado pelas autoridades brasileiras, mas ainda não obteve retorno.

As investigações

A acompanhante de luxo estava sumida há cerca de duas semanas e foi vista pela última vez saindo de um hostel em Guarulhos, próximo ao Aeroporto Internacional de São Paulo, no último dia 23. A advogada que representa a mulher no Brasil, Cleonice Silva, afirmou à Banda B nesta quarta-feira (5) que a Polícia Federal investiga o envolvimento de um homem no embarque de Amanda rumo a Paris.

Amanda Alves Pereira não deu mais notícias após supostamente ser convidada para viajar à Europa. O paradeiro dela só foi descoberto após a família ter acesso a um comunicado emitido pelo Consulado-Geral do Brasil em Paris.

A suspeita é que uma mala esteja relacionada à prisão da jovem curitibana. Imagens obtidas pela Ric RECORD mostram a jovem indo para São Paulo com uma bagagem rosa. Uma câmera de segurança instalada próximo ao hostel em Guarulhos, porém, flagrou ela deixando o estabelecimento com uma mala preta (assista abaixo).

Antes de desaparecer, Amanda chegou a enviar uma localização de Campo Grande (MS), o que indica que ela pode ter passado pelo Estado. Na semana anterior ao desaparecimento, ela também enviou à mãe uma foto do passaporte, o que levantou a hipótese de uma viagem internacional.

A família da jovem chegou a ir para São Paulo no dia 31 para auxiliar nas buscas e fornecer informações às autoridades. A mãe contou que recebeu relatos de que a filha poderia ter deixado o Brasil, embora o destino fosse incerto.

Segundo testemunhas, Amanda trabalhava como acompanhante de luxo e teria recebido um convite de um homem para passar cinco dias na Europa.

Em casa, antes de sair apenas com a mala rosa, Amanda deixou carro, roupas e objetos pessoais. Desde então, o celular dela permanece fora de área e mensagens não chegam.

Ela mora com os pais e um irmão adolescente no bairro Alto Boqueirão, em Curitiba, e costumava viajar com frequência. No dia 18 de outubro, ela avisou ao pai que iria viajar.

A mãe registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil do Paraná e de São Paulo.