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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (7) que a criação de uma moeda única com a Argentina, ainda em estudo, pode ser uma trava a “aventuras socialistas” no continente.

Ele, contudo, baixou o tom sobre a paternidade da proposta. Declarou que as críticas à proposta são bem-vindas e, após afirmar que a conversa sobre a proposta realizada na quinta (6) era “um primeiro passo para um sonho”, disse que a proposta existe “desde 2011”, primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT).

“Essa proposta existe desde 2011, e Paulo Guedes mostrou-se interessado, juntamente com o governo da Argentina, a voltar a estudar essa questão. Rodrigo Maia e qualquer que tenha criticado, é um direito, é um dever, estamos num país livre. As críticas são muito bem vindas e nos alertam sobre a possibilidade de estarmos nos desviando do caminho certo”, disse o presidente.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, criticou a proposta em uma rede social. “Será? Vai desvalorizar o real? O dólar valendo R$ 6? Inflação voltando? Espero que não.”

Bolsonaro usou, mais uma vez, o casamento para explicar os prós e contras da proposta.

“Uma nova moeda é como um casamento. Você ganha de um lado e perde de outro. Você às vezes quer ver o jogo o do Botafogo e não consegue porque sua esposa quer ir ao shopping. Mas, como num casamento, a gente mais ganha do que perde. Temos mais a ganhar do que perder. Com uma moeda única damos uma trava às aventuras socialistas que acontecem em alguns países da América do Sul”, disse ele.

Bolsonaro voltou a se referir como uma preocupação a possível vitória do grupo político da ex-presidente Cristina Kirchner nas eleições presidenciais argentinas em outubro. Mas disse que a eventual vitória dela não será uma ameaça ao Mercosul.

Cristina será candidata a vice-presidente na chapa que tem Alberto Fernandéz como candidato à Presidência.
Em encontro com empresários no fim da tarde desta quinta-feira (6), em Buenos Aires, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes falaram sobre um plano ainda incipiente de criar uma moeda única para Brasil e Argentina.

O tema já teria sido discutido com o ministro da Economia de Mauricio Macri e idealizador do plano, Nicolás Dujovne.

Desde a criação do Mercosul, os países do bloco mencionam a possibilidade da criação de uma moeda comum, mas nenhuma iniciativa nesse sentido foi concretizada devido às diferenças de políticas cambiais dos membros.​
Segundo a imprensa argentina, a moeda se chamaria “peso real”.

O Banco Central brasileiro negou haver planos para uma moeda comum. Em nota divulgada na noite de quinta-feira (7), a instituição afirmou que “não tem projetos ou estudos em andamento para uma união monetária com a Argentina”.

Bolsonaro disse que a proposta, inicialmente, envolve apenas a Argentina. Mas pode, no futuro, incluir novos países. ​”Uma família começa com duas pessoas. A ideia foi lançada na Argentina”, afirmou.