O neurocirurgião norte-americano James T. Goodrich morreu nesta segunda-feira (30), em Nova York, vítima do coronavírus.
Ele ficou conhecido no Brasil ao orientar, em 2018, a cirurgia que separou as duas irmãs gêmeas que nasceram ligadas pelo cérebro, Maria Ysabelle e Maria Ysadora.

O procedimento, inédito no Brasil, foi realizado pela equipe do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

Ele estava internado havia sete dias, mas não resistiu às complicações pulmonares causadas pela Covid-19.

“É uma tristeza muito grande”, diz o neurocirurgião brasileiro Hélio Machado, que liderou a equipe que separou as duas meninas. “Para nós Goodrich foi muito, muito importante. Sem ele, não teríamos feito nada”, afirma.

 

Foto: Reprodução/Facebook

 

O doutor Hélio acompanhava a situação de Goodrich diariamente, em contato com a equipe dele em Nova York.

“Ele foi internado na segunda-feira, com insuficiência respiratória”, conta. Há alguns dias, os médicos que tratavam de Goodrich começaram a diminuir a oxigenação para tentar desentubá-lo. Na madrugada desta segunda, ele acabou piorando e morreu.

“Era uma pessoa altamente carismática, reconhecida internacionalmente. Ontem mesmo, numa conferência com pessoas da Itália, da Inglaterra e dos EUA, falamos dele. Todos estavam preocupados com seu estado de saúde”, diz o médico brasileiro.

A equipe de Ribeirão Preto está fazendo um livro sobre a cirurgia que será dedicado ao neurocirurgião americano.

“Ele definiu a técnica [de separação de craniópagos], sistematizou e possibilitou que muitas as crianças, separadas, sobrevivessem. Goodrich trouxe uma contribuição eterna para a área de cirurgia pediátrica”, finaliza Hélio Machado.